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O rapaz
converteu todo o dinheiro que possuía num lindo par de botas e num saco para o
seu gatinho. Este calçou as botas e, pondo o saco às costas, encaminhou-se
para um sítio onde havia uma coelheira. Quando ali chegou, abriu o saco,
meteu-lhe uma porção de farelo miúdo e deitou-se no chão fingindo-se morto.

Excitado
pelo cheiro do farelo, o coelho saiu de seu esconderijo e dirigiu-se para o
saco. O gato apanhou-o logo e levou-o ao rei, dizendo-lhe:
— Senhor, o nobre marquês de Carabás mandou que lhe entregasse este coelho.
Guisado com cebolinhas será um prato delicioso.
— Coelho?! — exclamou o rei. — Que bom! Gosto muito de coelho, mas o meu
cozinheiro não consegue nunca apanhar nenhum. Dize ao teu amo que eu lhe mando
os meus mais sinceros agradecimentos.
No dia seguinte, o gatinho apanhou duas perdizes, assou-as no espeto e levou-as
ao rei como presente do Marquês de Carabás.
 
O rei
ficou tão contente que mandou logo preparar a sua carruagem e, acompanhado pela
princesa, sua filha, dirigiu-se para a casa do nobre súdito que lhe tinha
enviado tão preciosas lembranças.
O gato foi logo ter com o amo:
— Vem já comigo, que te vou indicar um lugar, no rio, onde poderás tomar um
bom banho.
O gato conduziu-o a um ponto por onde devia passar a carruagem real, disse-lhe
que se despisse, que escondesse a roupa debaixo de uma pedra e se lançasse à
água. Acabava o moço de desaparecer no rio quando chegaram o rei e a princesa.
 
—
Socorro! Socorro! — gritou o bichano.
— Que aconteceu? — perguntou o rei.
— Os ladrões roubaram a roupa do nobre marquês de Carabás! — disse o
gato. — Meu amo está dentro da água e sentirá câimbras.
O rei mandou imediatamente uns servos ao palácio; voltaram daí a pouco com um
magnífico vestuário feito para o próprio rei, quando jovem. O dono do gato
vestiu-o e ficou tão bonito que a princesa, assim que o viu, dele se enamorou.
O rei também ficou encantado e murmurou:
— Eu era exatamente assim, nos meus tempos de moço.
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