HADJA SHAMS MAHMUDA

Carta ao Mundo
Para todas as crianças refugiadas da guerra

Sou ser pequeno, frágil e refugiada num acampamento.
Aqui nada temos.
Falta-nos até mesmo alegria,
comemos o pão amanhecido
e bebemos leite de cabra com água e mel.
Troquei meu anel por algumas balas...
No doce delas sonhei com minha aldeia,
a pandorga no céu querendo o infinito alcançar.
À noite, meu pai conta história de nossa gente, e eu já nem sei se sou gente...
Tenho nove anos e estou sem ir à escola.
Tenho saudades dos meus colegas, da merenda. Meu vestido de renda,
na pressa da fuga, esqueci na aldeia.
Quando esse exílio vai acabar?
Acho que somos peças de um jogo de dardos...
Tenho chorado sobre esse jogo.
Ao longe vejo o fogo da guerra
tingindo de vermelho o céu da Cisjordânia.
Meu pai diz que a chuva do céu o apagará.
Quando virá a chuva?
Nossos olhos é que chovem todos os dias na nossa condição de guerra.
Ó povo do mundo,
queremos crescer em paz...
Somos aqueles que hastearam a bandeira da Unidade:
queremos apenas ser crianças. 

 

Lei da Unidade

Eu sou árabe, muçulmana.
Meu luar está no céu de Allah.
Meu sol é a nação árabe.
Eu sou mujahedim no caminho do amor divino.
Meu jihad é a bandeira da tolerância,
da servidão, na imensidão da lenda beduína,
a voar como um pássaro eterno
sobre o oceano da alma do mundo.
Eu sou árabe.
Ergui minha tenda de versos no deserto do capitalismo,
a esperar os anjos
que virão nos ensinar o caminho do paraíso.
Esse estado de alma
que se pode viver em qualquer dimensão.
Eu sou árabe, sou muçulmana Salam...
Que a paz esteja em teus olhos.
E que teus olhos olhem o povo do planeta,
não como árabe, russo ou alemão,
mas como irmão, em nome da Unidade
e da fraternidade, no abraço das nações.
Numa única canção de paz...  

Voltar