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HEGEL PONTES |
Ironia de Natal
Disseram
que meu pai tinha viajado,
mas não saiu de mala nem sacola...
E tudo desde então ficou mudado.
Venderam meu carrinho e minha bola...
E aos poucos, eu fui vendo, desse lado
morrer o passarinho na gaiola.
O fogão cada vez mais apagado
e meus irmãos deixarem de ir à escola...
Depois era preciso "se mudar";
um homem trouxe escrito num papel
que minha mãe, ao ler, pôs-se a chorar...
Era Natal e minha mãe, descrente,
saindo à rua, qual Papai Noel,
foi dando os filhos todos de presente...