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SÍLVIA SCHMIDT |
Deixa-me
Ser
Quisera eu ser como a primavera,
Poder levar-te folhas de esperança,
Para acalmar-te a alma que se cansa
Nesse teu leito de tão longa espera ...
Quisera eu ser como a ave mansa,
Que docemente canta em tua janela ...
Quisera ser das belas a mais bela
E no teu quarto entrar com minha dança ...
Quisera eu suar entre os teus braços,
Acompanhar teus sonhos e os teus passos,
Poder tirar-te dessa solidão ...
Quisera eu ser teu amor eterno
E transmutar em céu o teu inferno ...
Abre-me as portas do teu coração !
Somos Poemas de Deus
Deus
me pediu um poema sobre Belezas da Criação...
- e eu me pus a falar das coisas que Ele criou ...
Falei do sol ...
- senti Suas mãos me aquecendo ...
Falei da lua ...
- senti Seu brilho me envolvendo ...
Falei da noite ...
- senti sobre mim Seu manto de estrelas ...
Falei de todo o verde do planeta ...
- senti Seu sopro de esperança ...
Falei das águas ...
- senti Seu mergulho no mistério do meu espírito ...
Falei do céu ...
- senti Seu azul a me proteger ...
Falei do fogo ...
- senti Sua chama queimando-me as mágoas ...
Falei do ar ...
- senti Seu sopro divino a me renovar ...
Falei de todos os seres ...
- senti Sua presença em cada forma vivente ...
- e a Ele apresentei tudo o que escrevera :
" - Aqui está o poema que pediste.
Espero que aproves tudo o que escrevi..."
E ouvi Sua resposta:
" - Prossegue ... tu não falaste de ti "
As
Duas Portas
À minha frente a porta tão antiga,
Rangendo as dobradiças já marrons,
Perdeu nas cores puras os seus tons
E já não traz a tua presença amiga.
Mas bem ao lado vê-se nova porta,
Todinha aberta para novo rumo.
Eu me penteio, ajeito e me perfumo,
Vou percebendo a lâmina que corta ...
Lâmina essa tanto carreguei
Na indecisão de me cortar da vida
Que me levou a tudo que hoje sei ...
O que me assusta é ver-me dividida
Entre o que eu era e agora o que serei
Depois do adeus ... da amarga despedida ...
Ponteiros
da Saudade
De repente bate uma saudade,
Vem a vontade de telefonar,
De ouvir tua voz e estar nesse lugar
Onde também tu ardes de ansiedade.
De repente quero largar tudo,
Sair correndo para o teu abraço.
Só eu conheço a força que aqui faço
Para tornar este desejo mudo.
Como são longas estas minhas horas!
Quantas esperas, Deus, quantas demoras
Para encontrar, enfim, o meu amor!
Quem colocou o tempo nos ponteiros
Não se lembrou do quanto eram certeiros
Pra nos matar com tanta espera e dor!