THÉO DRUMMOND

Rosas

Sentado em meu jardim, sob este vento,
percebo entristecido e contrafeito
que as rosas vão morrer e me lamento
pois morro a morte delas no meu peito.

Por isso, olhando-as, já não me deleito,
sinto, ao contrário, um grande desalento.
Sem rosas o jardim que era perfeito,
perde as cores, o olor, o movimento.

Quando as rosas cairem pelo chão
(as rosas rosas, brancas, amarelas)
em pouco tempo, todas murcharão.

Eu vou ficar chorando perto delas
sabendo que outras rosas nascerão
para depois morrerem, como aquelas.  

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