MARIA AUGUSTA BERALDO LEITE MOTA
Mariinha Mota
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Nasceu Maria. Maria
Augusta como a avó materna que não conheceu. Nasceu
Maria - Maria Augusta Beraldo Leite. Maria Augusta
tornou-se Mariinha e assim ficou sendo por toda a sua
vida: Mariinha do Horácio; depois, Mariinha do Geraldo;
mais adiante, professora e poetisa Mariinha Mota. Saída
das faldas da Mantiqueira, Mariinha Mota cresceu através
de seus versos e de sua arte, impulsionada apenas pela
força de sua inteligência e sensibilidade. Voou Brasil
afora nas asas de suas rimas. Maria... Maria Augusta... Mariinha... Mariinha Mota... nossa mãe querida que nunca
deixou de ser menina, nem Mariinha de alguém... Nesta época, nasceram-lhe mais dois filhos louros, lindos e rosados... Como irmã mais velha, recordo-me do nascimento de cada um deles: do amanhecer decepcionante onde constatei o nascimento de Silvia, uma menina, que me fez reclamar que a cegonha havia errado, transformando-a, depois, na minha bonequinha viva; da manhã fria de julho em que sai para comunicar aos tios e avós que o primeiro homem da família nascera: Geraldo Luiz, meu doce irmão artista e sonhador, capaz de retirar das teclas de seu piano as mais belas canções e que ainda me encanta, pela sua cultura e sensibilidade; do domingo colorido e feliz quando, após um longo passeio, encontramos enrolado numa manta azul clara uma das mais lindas crianças recém-nascidas que vi em toda a minha vida (e eu fui por mais de vinte anos, médica obstetra atuante): Miguel Ângelo, que me chamava de Rapunzel e me presenteava com bibelôs de louça barata, comprados com os tostões que ele amealhava cuidadosamente. Bibelôs que ele achava lindos e dos quais ríamos às escondidas, reconhecendo neles, entanto, o carinho e afeto que simbolizavam. Ainda hoje, Miguel é o irmão querido, terno, calado, mas que possui um enorme coração e ama a todos nós - e também é amado. Sua dedicação e desvelo ao cuidar de nossos pais idosos, jamais esqueceremos e conservaremos sempre esta nossa dívida para com ele. Com Mariinha, na Escola Normal,
diplomou-se uma plêiade de jovens senhores e senhoras,
que brilhariam, posteriormente, no magistério e na vida
cultural do Vale do Paraíba. Dentre esses, gostaria de
destacar: Benedito de Paula, professor de Matemática,
temido mas competente - o nosso "Dito
Potência"; José Leite, professor de Geografia, que
adorava organizar excursões e estimulava a nossa
criatividade, mandando que escrevêssemos as nossas
idéias e não o que decorávamos do Aroldo de Azevedo;
João Vieira Soares, de tradicional família piquetense,
escritor e professor de Português; Mirthes Mazza, a
caçula da turma , loura e linda, delicada como uma flor.
Declamadora e poetisa, juntamente com seu esposo José
Palmyro Masiero, o Yeyé, artista multifacetado, comandaria um grupo de
teatro amador: Grupo ARTE (Artistas Reunidos do Teatro
Experimental); Dulce Bittencourt Damico, professora
primária de tantas e tantas gerações, atuante nos
movimentos filantrópicos da cidade. Tantas outras
pessoas, que acompanharam Mariinha no
decorrer de sua vida... Concursada e aprovada como
professora do Estado de São Paulo, Mariinha trabalhou,
por algum tempo, em uma escola rural de Cunha, SP, para
onde levou seus filhos pequenos, acrescidos do
caçulinha, ainda bebê, Salvador Augusto e de Nancy
Maria, filha escolhida pelo seu coração, por ela salva
das vicissitudes da vida. Mais tarde, Mariinha escolheria
outra pequena menina - Maria Benedita Inácio, a nossa
Lili - para completar o seu lar. Durante alguns anos,
posteriormente, Tony, um garotinho de olhos amendoados,
também cresceria ao lado de seus filhos. Retornando à Piquete, como professora do Grupo Escolar Antônio João,
Mariinha dedicou-se aos seus alunos, não limitando-se
às aulas cotidianas: montou grupos de teatro e
declamação, fanfarras; organizou desfiles grandiosos,
com carros alegóricos criativos e movimentados.
Participou de campanhas filantrópicas várias, como a
Campanha do Agasalho, Natal dos Pobres e Campanha do
Quilo Mensal, não descurando a formação moral e
intelectual de seus filhos. Embora com saúde precária,
tendo sido submetida a várias e seguidas intervenções
cirúrgicas, inclusive uma nefrectomia, continuava em
suas lides. Declamadora de escol, não só arrebatou
inúmeros prêmios em concursos de declamação, como
preparou suas filhas e alunos, que também se destacaram
nestas apresentações. A caravana de declamadores de Piquete, encabeçada pela professora Mariinha Mota, era
respeitada pelo Vale do Paraíba e Sul de Minas. Mariinha
começou a compor seus poemas, tendo os sonetos como
primeira forma de expressão, seguidos por trovas, peças de teatro
e poemas infantis, que espalhavam-se pelas páginas literárias
dos jornais e revistas da região. Em 1968, duas fortes emoções,
diversas no seu significado e importância, fizeram-se
presentes. No início do ano, sua primogênita foi
aprovada em terceiro lugar no vestibular de Medicina, no
Rio de Janeiro; alguns meses depois, inesperadamente, seu
filho caçula, Salvador Augusto, com dez anos de idade,
faleceu acometido por um osteossarcoma. Mariinha não
esmoreceu. Havia uma família a ser educada que apenas se
esboçava; tudo dependia de sua força e equilíbrio. Em
1973 retornou aos bancos escolares, formando-se em
pedagogia e letras: língua portuguesa e inglês. Passou
a lecionar para adolescentes, mas preferiu sempre as
crianças. Em memória de seu filhinho tornou-se uma das
fundadoras, em Piquete, de um movimento ligado à Rede
Feminina de Combate ao Câncer, comandado nacionalmente
pela Dona Carmen Prudente. A primeira presidente local
foi a professora Ruth Brasil Nunes, secundada por Dona
Dulce Bittencourt Damico, que por mais de vinte anos
comandaria o movimento na cidade. Aposentada, dedicou-se
totalmente à literatura e, da pequena cidade de Piquete,
espalhava-se através de seus versos, por todo o Brasil,
chegando a assumir uma cadeira na Academia de Letras do
Vale do Paraíba. Uma doença neurológica incapacitante
impediu a continuação de seu brilho, mas não apagou a
beleza de sua trajetória, cultuada por seus
descendentes, que procuram transmitir aos filhos a
história da inteligência e sensibilidade desta menina
fazendeira e brincalhona que nasceu Maria. Maria... Maria
Augusta... Mariinha... Mariinha do Horácio e do
Geraldo... Mariinha mãe de seus filhos e de outros que
recolheu pela vida... Mariinha que alfabetizou... Maria
que alimentou famintos e socorreu doentes e aflitos...
Mariinha que encontrou na dor de perder um filho energia
para consolar outras mães... |

Mais sobre Mariinha Mota, acesse:
http://www.mauxhomepage.com/piquete/suagente/gente_mariinhamota.htm
http://www.mauxhomepage.com/desenterrandoversos/trovadores/mariinha.htm
Comunidade do
Orkut: Alunos de Mariinha Mota
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=8514019
Poemas e Textos Infantis
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