SÓ CRIANCINHAS
Um grande industrial,
milionário, cansado
dos imensos trabalhos que tinha o ano inteiro,
costumava passar as férias,
sossegado,
em cidades balneárias ou no estrangeiro.
Uma vez, entretanto, foi
passar uns dias
numa cidadezinha humilde e
modesta,
ficando à beira-mar, nas manhãs menos frias
à tarde
aproveitando pra fazer sua sesta.
E ali, observava os duros
labores
dos homens que do mar tiravam seu sustento,
vendo tristes mendigos,
pobres pescadores
que, então, viviam em rude, agreste sofrimento.
Tentou aproximar-se de um
dos caiçaras
e com ele iniciou uma
conversação;
verificou tratar-se de um homem que em raras
vezes já desfrutara a
civilização.
O rapaz respondia às
perguntas, somente,
por duros monossilabos,
esperançoso
que o aborrecido intruso fosse logo em frente,
não espantando os peixes
que aguardava ansioso.
Em um dado momento
indaga-lhe o ricaço:
- Escute, moço, diga-me
se, porventura,
aqui onde só vejo lutas e
fracasso,
nasceu um grande homem de desenvoltura?
E o humilde caiçara, sem
pestanejar,
respondeu, firmemente, sem fazer gracinhas:
- Que eu ficasse sabendo
aqui neste lugar
tem só nascido mesmo, muitas criancinhas...
Mariinha Mota
Página
formatada em 18 abr 2005
Envie esta página para: