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FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA |
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Tropas Brasileiras vendidas por Getúlio Vargas, em troca da Siderúrgica de Volta Redonda Em
1937, o Presidente Getúlio Vargas deu um golpe de estado e
implantou no Brasil um regime inspirado no fascismo italiano. Em
1940, Getúlio acenou com a possibilidade de construir uma
siderúrgica no Brasil, com o apoio da indústria alemã Krupp.
Os Estados Unidos concederam imediatamente um crédito ao Brasil
para financiar a siderúrgica sem a participação alemã. Dois
anos depois, Getúlio declarou guerra aos países do Eixo. No
início dos anos 90, veio a público um documento reservado do
Exército norte-americano revelando planos de invasão do Brasil
pelos Estados Unidos caso Getúlio não aderisse aos aliados. Na
Conferência do Rio de Janeiro, em 1942, vinte e uma nações
latino-americanas reconheceram no ataque japonês a Pearl Harbour
uma agressão ao continente e começaram a declarar guerra ao
Eixo. A FEB (Força Expedicionária Brasileira) combateu na
Itália. A aviação mexicana combateu nas Filipinas. A Força
Aérea Paraguaia fez o patrulhamento aéreo no Atlântico
Sul. A Argentina e o Chile também se envolveram no conflito. Os
demais países do continente participaram do esforço
norte-americano de guerra fornecendo matérias-primas. Foi a
primeira grande vitória diplomática dos Estados Unidos no
continente. Como Aconteceu Entre setembro de 1939 e agosto de 1942, período que abrangeu o início da Segunda Guerra Mundial até o momento no qual o Brasil declarou guerra aos países do Eixo, unindo-se definitivamente às forças aliadas, muita coisa aconteceu no país. As relações do Brasil com os Estados Unidos baseavam-se na negociação do alinhamento brasileiro, discutindo-se o fornecimento de materiais estratégicos aos Estados Unidos e a permissão para o estacionamento de tropas norte-americanas nas bases do Nordeste; do seu lado, o governo brasileiro reivindicava financiamento para a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e o reequipamento e modernização das nossas Forças Armadas. Através das conferências interamericanas, o governo norte-americano procurava garantir para si, na hipótese de generalização do conflito, o apoio dos países latino-americanos. Inicialmente, na conferência do Panamá (1939), foi declarada a neutralidade das repúblicas americanas diante da guerra na Europa. A seguir, em Havana (1940), foi afirmada a solidariedade continental em face de uma agressão externa a qualquer país do continente. Visando especificamente ao apoio brasileiro, o presidente Roosevelt favoreceu a ida aos Estados Unidos da Missão Aranha e a assinatura de uma série de acordos, que previam a concessão de créditos ao Brasil em troca do compromisso do governo brasileiro de regularizar o pagamento das dívidas e das remessas de lucros. Washington iniciou ferrenha campanha contra a presença germânica no continente latino-americano em geral, e no Brasil em particular, através de uma ofensiva político-ideológica sem precedentes na história das suas relações. Na expressão cunhada pelo historiador Gerson Moura, Tio Sam chegava ao Brasil para fazer frente ao fantasma do Eixo. Embora buscando manter uma política de indefinição entre Estados Unidos e Alemanha, esgotando seus recursos de barganha acrescidos da evolução do conflito na Europa, o Brasil cada vez mais comprometeu-se com os preparativos norte-americanos de entrada na guerra ao lado dos Aliados. Desde o início de 1941, os Estados Unidos estavam decididos a cortar o fornecimento de matérias-primas brasileiras ao Eixo. Para tanto assinaram com o Brasil um contrato de aquisição de toda a sua produção de materiais estratégicos - bauxita, berilo, cromita, ferro-níquel, diamantes industriais, minério de manganês, mica, cristais de quartzo, borracha, titânio e zircônio. Nessas negociações, ênfase especial foi dada à borracha, produto que se tornara escasso após o avanço japonês no Sudeste Asiático. Com a ajuda de recursos norte-americanos, desencadeou-se na época a "batalha da borracha", projeto de estímulo à produção e distribuição do produto. Com a entrada dos Estados Unidos na guerra em dezembro de 1941 e o conseqüente aumento da necessidade desses e de outros produtos estratégicos para a indústria bélica norte-americana, o governo brasileiro procurou associar novos acordos de venda à obtenção de armamentos para suas Forças Armadas. O processo de negociação do alinhamento chegou ao fim com a entrada dos Estados Unidos na guerra após o ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor, em dezembro de 1941. Criação da Companhia Siderúrgica Nacional Já por ocasião da Revolução de 1930, a criação de uma grande indústria siderúrgica nacional havia sido fixada como um dos objetivos do governo, visando a atender às necessidades não só do desenvolvimento econômico, mas da própria soberania nacional. Foi exatamente a preocupação com a defesa nacional que fez com que, a partir de meados da década, os militares passassem a desempenhar um papel chave na luta em prol da indústria siderúrgica brasileira. Em junho de 1939, durante visita aos Estados Unidos do chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, general Góes Monteiro, o governo norte-americano manifestou sua disposição de cooperar no reequipamento econômico e militar brasileiro em troca de nossa colaboração nos planos de defesa continental traçados por Washington. Na ocasião foi enviado ao Brasil um grupo de técnicos da United States Steel e, como resultado das conclusões favoráveis de seus estudos, foi instalada a Comissão Preparatória do Plano Siderúrgico. Contudo, em janeiro de 1940 o governo brasileiro foi informado da decisão daquela empresa de que não iria mais participar da construção da usina no Brasil. Embora os motivos dessa desistência nunca tenham ficado claros, é possível que estivessem ligados aos estudos que se faziam na época em torno da criação de um novo Código de Minas que proibiria a participação estrangeira na atividade metalúrgica. Em vista da decisão da empresa norte-americana, o governo brasileiro decidiu levar adiante o empreendimento por meio da constituição de uma empresa nacional, com a ajuda de empréstimos estrangeiros. Ainda em 1940 foi criada a Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional, que estabeleceu metas de produção e financiamento e decidiu pela localização da usina em Volta Redonda (RJ). A embaixada brasileira em Washington foi então autorizada a solicitar ao Eximbank um crédito de US$ 17 milhões para a aquisição de maquinaria. O governo norte-americano, entretanto, retardava qualquer definição e chegou a favorecer o reatamento das negociações entre o Brasil e a United States Steel, solução que, àquela altura, não era mais desejada pelo governo brasileiro. O lance decisivo viria, por fim, com o discurso pronunciado por Getúlio Vargas a bordo do encouraçado Minas Gerais em 11 de junho de 1940. Contendo alusões simpáticas ao Eixo, o discurso pode ser interpretado como manobra para forçar os Estados Unidos a uma definição favorável à implantação da siderurgia no Brasil. Logo a seguir, uma comissão integrada por Edmundo de Macedo Soares, Guilherme Guinle e Ari Torres foi aos Estados Unidos para negociar o financiamento junto ao Eximbank e obteve um empréstimo de US$ 20 milhões. Paralelamente aos trabalhos da comissão, prosseguiam as negociações entre os governos norte-americano e brasileiro quanto às bases e ao alcance da cooperação econômica e militar entre os dois países, que só se completariam em 1942. Isso não impediu que já em 7 de abril de 1941 fosse criada a Companhia Siderúrgica Nacional, sociedade anônima de economia mista cujo primeiro presidente, nomeado também naquela data, foi Guilherme Guinle. |




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A partir de então, e tendo em vista os compromissos assumidos pelo Brasil desde a Conferência de Havana, tornou-se inevitável o rompimento de relações diplomáticas do Brasil com os países do Eixo. O rompimento foi declarado por ocasião da Reunião de Chanceleres do Rio de Janeiro, em janeiro de 1942. O preço dessa decisão não tardou a ser cobrado, com o afundamento de navios mercantes na costa brasileira. A partir daí, com a população enfrentando as restrições impostas pelo cotidiano da guerra, iniciou-se forte mobilização civil e militar contra o Eixo. Apesar desse movimento crescente em direção ao alinhamento do Brasil aos Estados Unidos, as vitórias dos alemães na Europa e na África continuaram a exercer forte influência sobre as Forças Armadas, o que levou "aliadófilos" e "germanófilos" a se entrechocar por mais algum tempo dentro do governo brasileiro. Um outro fator que veio contribuir para tornar mais complexas as negociações entre os dois países foi a intenção do governo norte-americano de enviar tropas ao Nordeste brasileiro, com base no argumento de que a região se constituía em alvo potencial para um avanço alemão em direção América. Enquanto a concepção de defesa nacional dos Estados Unidos implicava a idéia de que cabia às forças norte-americanas arcar com a defesa do continente, e de que a solidariedade continental deveria se traduzir na permissão para o estacionamento de tropas na bases militares do Nordeste do Brasil, os brasileiros insistiam em se encarregar eles próprios da defesa de seu território. Para isso, porém, precisavam de material bélico moderno. Até que esse assunto fosse resolvido, o governo Vargas concedeu, de toda forma, facilidades importantes aos Estados Unidos. Em outubro de 1940 foi criada a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, que trabalhou no aprimoramento de medidas comuns de defesa. A seguir, em janeiro de 1941, um acordo assinado entre os dois países previu a instalação no Rio de Janeiro de duas missões militares norte-americanas (Exército e Aviação). Em abril do mesmo ano, novo acordo concedeu facilidades para a Marinha americana em operações na costa brasileira. Finalmente, em julho de 1941 o Brasil autorizou a utilização de suas bases navais e aéreas no Nordeste pelos norte-americanos. A cada dia mais ciente da importância que a modernização do equipamento tinha para as Forças Armadas, e desejoso de garantir o apoio destas a seu governo, Vargas decidiu finalmente condicionar a consolidação do alinhamento aos Estados Unidos ao fornecimento do material solicitado. Foi o que fez por ocasião da Reunião de Chanceleres do Rio de Janeiro, em janeiro de 1942, na qual os Estados Unidos esperavam obter o rompimento das relações diplomáticas dos países do continente com os países do Eixo. A insistência no reequipamento feita pelos chefes militares brasileiros, representados pelos generais Eurico Dutra, ministro da Guerra, e Góes Monteiro, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, baseava-se no argumento de que o Brasil não estava preparado para arcar com as conseqüências do rompimento com o Eixo. Após ajustes difíceis entre os interesses dos dois países, foi afinal assinado, em março de 1942, um acordo que possibilitava o envio de armas e munições ao Brasil no valor de US$ 200 milhões, em desdobramento aos chamados Acordos de Washington de 1942 que diziam respeito, basicamente, ao fornecimento de certas matérias-primas brasileiras à indústria norte-americana. Em contrapartida, Vargas atendeu à reivindicação dos Estados Unidos de aumentar seus efetivos no Nordeste e construir novas instalações militares na região. A seguir, com a assinatura de um novo acordo político-militar em maio de 1942, foram criadas comissões militares, nos dois países encarregadas de desenhar os planos de defesa conjunta para o Nordeste e elevar a capacitação das Forças Armadas Brasileiras. Às vésperas da declaração de guerra do Brasil à Alemanha e à Itália, em agosto de 1942, era indiscutível o comprometimento brasileiro com os Estados Unidos. Mais uma vez, porém, a implementação efetiva dos acordos de reequipamento das Forças Armadas enfrentaria problemas que só a criação da Força Expedicionária Brasileira iria resolver. Finalmente, em agosto de 1942, iria começar a história do Brasil na guerra. |

Getúlio
Vargas reunido com seu ministério após declaração de guerra
ao Eixo, 1942. Rio de Janeiro (RJ).
Arquivo Diana Oliveira Maciel
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A Manipulação da Opinião Pública Brasileira Com a criação do DIP, o Estado assumiu como sua tarefa o controle sistemático de todos os meios de comunicação social disponíveis. A justificativa para esse controle e para a maciça publicidade da ação do governo estava ligada à concepção da propaganda como fator de segurança da nação e de defesa das instituições nacionais. Propaganda e censura eram vistas como armas de que o Estado Novo dispunha para ajudar a manter a unidade ideológica da nação, elucidar as propostas do governo e educar a opinião pública dentro dos princípios doutrinários do regime. Pode-se dividir a ação estatal em relação à informação sobre o tema da Segunda Guerra Mundial em dois momentos distintos: antes da Reunião de Chanceleres do Rio de Janeiro em 1942, ou seja, enquanto o Brasil mantinha sua neutralidade diante do conflito europeu, e a partir do rompimento de relações e da declaração de guerra com a Alemanha, Itália e Japão. No primeiro momento, o governo determinava que a imprensa e o rádio permanecessem neutros ao divulgar notícias sobre a guerra. A censura era então exercida com rigor, e era proibida a publicação de notícias, correspondências e artigos nos quais se pregasse ou insinuasse a necessidade de uma tomada de posição do governo brasileiro diante do conflito. Da mesma forma era proibido publicar "telegramas, comunicados, fotografias ou gravuras" que atribuíssem a qualquer dos beligerantes "atos reprováveis". Matérias a favor ou contra qualquer dos lados envolvidos não seriam divulgadas, bem como caricaturas, anedotas e fotografias "ofensivas a qualquer homem público ou exército das nações em guerra" ou relativas à "vitória ou derrota nos campos de batalha". |

Manifestação
contra o Eixo, 1942. Rio de Janeiro (RJ).
Arquivo Diana Oliveira Maciel
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Mas o Brasil também produzia sua própria propaganda de guerra. O DIP se dedicava a isso organizando cerimônias e concentrações populares cujo objetivo era a mobilização moral e material para o esforço de guerra. Toda a propaganda era feita no sentido de enaltecer as Forças Armadas do país, mostrando-as aparelhadas a aptas a enfrentar o desafio, salvaguardando assim a ordem e integridade da nação. Através dos cinejornais ou documentários de curta metragem, então de exibição obrigatória nos cinemas, eram mostrados o embarque dos pracinhas, sua atuação no front, as batalhas vencidas, o estado de espírito da população brasileira diante do desenrolar dos acontecimentos na Europa. Eram ainda produzidos cartazes sobre os mais variados temas, como as Obrigações de Guerra, a convocação para o alistamento, a arrecadação de fundos etc. O DIP editou também a coleção O Brasil na Guerra, reunindo dados sobre a participação brasileira no conflito, enquanto os grandes jornais constantemente eram abastecidos com matérias sobre questões as mais diversas relativas à Segunda Guerra Mundial. |

Comemoração
pelo 2° aniversário do rompimento de relações do Brasil com o
Eixo, 1944.
Rio de Janeiro (RJ).
Arquivo Diana Oliveira Maciel
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A partir do seu novo posicionamento no plano internacional, e em virtude do estreitamento das relações com os Estados Unidos, o Brasil passou a permitir, cada vez mais, a influência norte-americana sobre todos os meios de comunicação, ao mesmo tempo em que era deflagrada uma propaganda sistemática contra a ideologia e os países do Eixo. A imprensa, o cinema, o rádio e outros veículos de comunicação brasileiros eram "abastecidos" com propaganda norte-americana, apresentando desde temas como o sacrifício dos soldados na guerra e o poderio militar dos Estados Unidos, até os hábitos e estilo de vida que constituíam o american way of life. Por isso foi possível falar na chegada de Tio Sam ao Brasil. Esse esforço tinha um propósito: afastar a influência alemã e italiana exercida pelas comunidades imigrantes ou por simples simpatizantes dos países do Eixo, suspeitos de formar uma quinta coluna no país. |

Comício
contra a 5ª coluna na Praça da Sé, 1945. São Paulo (SP).
Arquivo Diana Oliveira Maciel
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