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FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA |
Hino Nacional cantado pelas tropas brasileiras na Catedral de Pisa,
sob bombardeio que pode ser percebido durante a gravação.
Salve Aqui
Instrução em San Rossore
Foto escaneada do livro "100 Vezes responde a FEB"
Marechal José Machado Lopes
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Faz,
hoje, exatamente três meses que pisamos o velho solo italiano. Três
meses de vida como sonho. A expressão não é pertinente porque sempre
a julgamos no bom sentido, de bem-estar, de fantasia. Sonho porque se
nos afigurava vivendo em mundo de fadas, sem contato com as coisas de
nossa habitual vida em casa. Vivemos em ambiente de guerra, os dias
misturam-se com as noites, os dias da semana parecem, iguais à nossa diária
atividade, só temos noção da data, porque o calendário nos indica.
Como se tivesse sido passada uma esponja sobre a nossa multiforme
atividade na pátria e unificado tudo em labuta uniforme, dia e noite,
semanas a fio, meses a correr, sem distinção. Não raro, ao sairmos de
longa permanência na sala de operações e atinarmos que, por exemplo,
são sete horas, perguntamos se não é pela manhã ou à tarde. Só
temos serviço de guerra, isto é, feridos, amputações traumáticas,
ventres dilacerados, tórax abertos, crânios amolecidos pelo efeito da
metralha; gemidos, queixas, gritos de dor, sangue a correr, olhos
vidrados pela morte, faces encovadas devido ao estado de choque, é o
quadro dantesco na sala de ressurreição do pequeno Hospital 32º. Este
estado de coisas, essas cenas de horror acabam influindo no nosso espírito.
Aqui, no campo de batalha, só está o nosso corpo, a nossa inteligência,
a nossa disposição, porque a afeição está longe, no Brasil. Temos
forte impressão de que fomos desdobrados: o cirurgião aqui está
presente em plena e áspera atividade, a desafiar-lhe a energia orgânica
e psíquica, mas o homem social, afetivo, sensível, ficou, qual
fantasma, em nossa terra natal. Dirão os psiquiatras que nós já
estamos sofrendo daquela entidade mórbida da dupla personalidade,
primeira manifestação da psicose de guerra. É possível. Quando eles
assim nos falam, aqui nos nossos colóquios, nós os encaramos na face e
nos lembramos da parte que lhes toca na seriação dos conhecimentos médicos:
"nada sabem e nada fazem"... Nos dois últimos dias o nosso
trabalho minorou. A chuva gelada e manhosa por certo cerceou a atividade
da nossa frente, felizmente para os soldados. Dizemos isso porque o gênero
de ferimento que vem a este hospital é horripilante; desejamos
sinceramente aos companheiros empenhados na refrega, menos acidentes
desta natureza. O dia 30 de novembro de 1944 foi assinado por mais um
"push" na frente de Porretta. Desde ontem pela manhã já
esperávamos alguma coisa, fomos avisados pelo comando. A tarde, cerca
de 18 horas, baixaram dois feridos graves, atingidos no abdome; às 19
horas chegaram mais três. Como as operações tomam, no mínimo, quatro
horas, com cinco doentes teríamos mais de 20 horas de trabalho. Mais
dois feridos surgiram às 20 horas. A pletora de pacientes excederia as
nossas possibilidades, uma vez que dispomos apenas de duas equipes cirúrgicas
em ação e não havia reservas. Para solucionar a questão, mandamos três
feridos para o 16º Hospital de Evacuação em Pistóia; uma vez que nos
pareceram eles perfeitamente transportáveis; pedimos auxílio de uma
equipe norte-americana, que estava sem trabalho, no momento; as nossas
duas equipes incumbiram-se dos outros feridos. Com tais providências
tomadas nos intervalos das operações, nos vamos adaptando ao rigor das
necessidades, sem prejudicar os nossos heróicos moços. A zona de luta
continuava, nos dias seguintes, a nos enviar mais homens portadores de
lesões graves e intransportáveis e o nosso trabalho vai sendo
continuado noite e dia, sem distinção, a cortar e remendar, em esforço
permanente de praças, sargentos, enfermeiros e médicos, sem direito de
descansar, apenas usando os intervalos para nos alimentarmos às
pressas, comida fria e fora de hora. E o esforço de nossa heróica
mocidade custou-lhe cem feridos em 24 horas, sem se conseguir o objetivo
visado, que seria a posse de Monte Castelo, aí a nossa frente, bem visível
aos nossos olhos cansados e emocionados. Admiramos como essas moças,
das quais a maioria nunca fora enfermeira antes, podem suportar este
esforço físico e a soma de emoções que a natureza do trabalho lhes
traz. As operações cirúrgicas pela gravidade e extensão impressionam
mesmo ao cirurgião mais afeito ao seu mister. O dia 2 de dezembro
foi-nos grato por termos recebido, com aviso prévio de duas horas, o
nosso comandante chefe, general João Batista Mascarenhas de Moraes. Ao
tomar conhecimento da visita, o comandante do 32º Capitão Bowyer,
preocupou-se em dar ao general boa impressão. Determinou limpeza geral
cuidadosa afim de melhorar o aspecto das enfermarias. A roupa de cama
foi mudada e as mobílias bem disposta com aparência de mais ordem e
asseio. Achamos interessante a razão dessas medidas porque revelavam
preito de homenagem aos nossos. O general veio acompanhado de vários médicos
em companhia de um seu colega de posto, norte-americano. Percorreu
minuciosamente o nosso hospitalzinho, falou aos feridos, impressionou-se
com o estado deles, foi amável e simples com o corpo médico, com os
enfermeiros, tanto americanos como brasileiros. Manifestou estar
satisfeito com a nossa atuação e afirmou confiar em nossa pessoa
"como homem sensato e experiente" capaz de amparar os que
trabalham conosco do ponto de vista profissional e moral. Disseram-nos,
os que são chegados ao chefe, que ele raramente é tão explícito. Ao
dirigir-se aos praças de saúde em ação no hospital, perguntava o
general se eles estavam recebendo cartas de casa. Em geral, a correspondência
com a Pátria traz alento novo e reforça a moral da tropa, daí a
instituição das madrinhas que escrevem, mesmo sem conhecer, para os
soldados expedicionários. Os norte-americanos dão ao fato destacada
importância; os seus correios aéreos vêem pejados de missivas de
conforto e incentivo. Certamente ao ter conhecimento disto, e assim
pensar, o nosso general fez tais indagações. Acontece que entre os praças
de saúde, destacava-se um latagão, José Santos, negro, disciplinado e
eficiente no trabalho de auxiliar de cozinha. Ao deparar o general em
sua frente se empertigou o José, em perfeita posição de sentido,
mantendo ainda na mão direita um quarto de frango que limpava, não lhe
ocorrendo dele desfazer-se. Vendo-o assim tão marcial e enquadrado no
regulamento, dirigiu-lhe o general afavelmente a palavra. "José,
você tem recebido carta ultimamente?" "Não senhor, meu
general". "Há quanto tempo não recebe uma carta?"
"Há oito anos sim senhor..." "Como há oito anos se você,
no máximo, está na guerra há quatro meses?" "É que também
em São Paulo eu não recebia, meu general". Apesar disso a moral
de José era perfeita. Trabalhava, assoviava e era confiante. Praça de
saúde, longe da linha de frente, que melhor posição desejaria? José,
no entanto, não podia conceber que os seus companheiros de tarefa não
entendessem a sua língua. Sabia perfeitamente bem que eles falavam uma
linguagem qualquer, tal como em São Paulo lhe acontecia ouvir; mas
longe estava de supor não fosse seu português compreendido. Daí os
freqüentes mal entendidos com o chefe de cozinha, que nos competia
desfazer. Para este, o nosso "Joe" é ótimo trabalhador, porém
desorganizado. A razão era outra; ao ausentar-se, o "Joe"
explicava os motivos na língua de Camões, e o nosso "yankee",
cuja mentalidade não estava longe daquela do nosso companheiro, só
compreendia o idioma de Shakespeare. Daí surgirem os freqüentes
desaguisados entre ambos. E a guerra continuava. E continua apesar dos
pesares. Ainda agora o gerador elétrico que fornece energia ao hospital
está danificado, fato que, praticamente abole as nossas atividades.
Guardamos os doentes recém-chegados na enfermaria de choque a espera da
possibilidade de os tratar convenientemente. Tais pequenos incidentes,
que se podem acompanhar de graves conseqüências, são por isso
enervantes. |

Pieve Delle Capane -
os Correspondentes de Guerra Joel Silveira e Rubem Braga, no Ponto de
Distibuição da Divisão
Foto escaneada do livro "A
Intendência no Teatro de Operações da Itália"
Cel. Fernando L. Biosca
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Era de ver na Itália a Intendência do Exército Brasileiro intervindo, a partir de Livorno sobre o mar Tirreno até as planícies do Rio Pó, na vida dos efetivos da FEB, cujo bem estar e cujo conforto impunham tarefa cotidiana e afanosa, fatigante e arriscada, não obstante a exuberância de recursos e as vias de comunicação disponíveis, uns e outros utilizados, metodicamente, sem atravancamento nas estradas e sem desperdícios de suprimentos. O ininterrupto transporte dos elementos de vida e de combate destinados aos efetivos em todos os escalões, executados em comboios diários, que circulavam quase sempre à noite por estradas cobertas de neve, com precipícios de um lado e imensas paredes quase verticais do outro, ofereciam um cenário desconhecido e emocionante, que a um tempo agitavam o coração e inflamavam o entusiasmo pela impressão que transmitiam da importância da Intendência, na Guerra. Desde a cidade em que se ergue a torre famosa em cuja Campanilla ainda hoje se encontra pendente a inspiradora lâmpada de Galileu - Pisa - outrora deslumbrante e colorida, graciosamente abeirada do Arno prateado, em cujas águas se espelha o céu anilado da Toscana, sugerindo canções de amor, até a cidade sob cujo solo, num recanto da estrada de Candeglia, já no sopé dos Apeninos azuis comandados pelo Gran Sasso, que se erguem qual dardos atirados contra o firmamento, 500 brasileiros dormem o sono dos heróis; daí pelo Vale do Reno, encachoeirado e exaurido até Farné de um e até Zocca do outro dos lados que partem do vértice de Crociale, sobre o Rio Silla, pontos em que as armas brasileiras conquistaram para a história militar do Brasil louros imarcescíveis e glórias esplêndidas; desses baluartes inimigos para a frente até o Rio Panaro e deste, pela Via Emília, milenar e surpreendente de arte e de beleza, para ir à cidade de Bomanno e de Guilherme Inspruch, edificada na era etrusca sobre a velha Felcina, berço de Marconi - Bolonha - de um lado e a Voghera de outro, até o encontro do Rio Pó, locais estes em que os aprovisionamentos tiveram execução durante a ofensiva; a partir de Voghêra até a cidade em que se ostenta o palácio espelhado em cujas salas e sobre cujas alfombras persas Napoleão passeou as suas glórias após a derrota de Zach na Batalha de Marengo - Alessandria - ponto terminal da marcha da Divisão Brasileira em perseguição ao inimigo acossado desde Monte Castelo e Montese, a Intendência lançou seus órgãos, intervindo profunda e continuamente nas operações para distribuir suprimentos de boca, de vestuário e de aquecimento; coletar mortos e evacuar material; a Intendência se movimentou, participando de rocadas, transportando tropas da retaguarda para a frente e entre pontos diferentes da frente; transportando munição, animais, materiais e combustíveis, diariamente, por estradas batidas pelo inimigo; atravessando pontos enfiados pelas vistas e fogos inimigos; abastecendo as unidades algumas vezes a 5 quilômetros da frente, até ser atacada pela aviação como se deu às 6 horas da tarde do dia 10 de dezembro de 1944, em Pieve Delle Capane, onde funcionava, o Posto de Distribuição da Divisão, e chegando na ofensiva com os seus órgãos aos elementos mais avançados; em uma palavra a Intendência funcionou cobrindo mais de um milhar de quilômetros de deslocamento no eixo de progressão da Divisão. Anteriormente, a Intendência da FEB, integrante do primeiro Escalão chegado à Itália em julho de 1944, já tinha funcionado em Nápoles, em Tarquínia e em Vada, para abastecer e transportar os efetivos desse escalão até o batismo de fogo em 17 de setembro daquele ano, período esse durante o qual dificuldades iniciais de toda a natureza tiveram que ser superadas no equipamento da tropa e nos primeiros estacionamentos, tudo executado por pessoal desambientado em luta contra fatores contrários de meio, de hábito, de clima e de trabalho. Esta foi a marcha e a ação da Intendência na Campanha da Itália. Impõe-se falar agora a largos traços das suas operações e dos seus oficiais, sargentos, cabos, soldados e motoristas, cujo patriotismo e cujo sacrifício, longe dos seus caros, longe dos seus amores, na tortura ,da saudade e no anseio de rever a Pátria distante e querida, querida como só se a pode sentir quando dela se está longe, em terra estranha e numa guerra, concorreram, maximamente, para que a Intendência pudesse arrancar a proclamação que lhe foi dirigida pelo Comando da FEB em 4 de março de 1945. Falemos pois desses obreiros discretos das glórias da Intendência, ,dizendo os seus feitos, para que a gratidão do Exército e da Intendência seja-lhes deferida. O reforço dos meios de transporte para que o reabastecimento se processasse com exatidão de tempo e de hora, em apoio das operações defensivas no inverno de 1944, na frente de Porreta-Terme, Gague Montana, Abeta, Bombiana e Crociale sobre o Rio Silla até a captura de Monte Castelo e daí até a conquista de Montese no começo da primavera; a distribuição de material para substituição de extraviado e do inutilizado em combate; a evacuação do material para recuperação e o recolhimento do que no final da campanha devia ser e foi restituído ao 5º Exército com expressiva vantagem para o nosso País; o preparo da alimentação americana pelos cozinheiros brasileiros, deficientemente habilitados, dando lugar a que a tropa, não sem inconvenientes de ordem psicológica, se não adaptasse prontamente, como era necessário, aos cardápios usados pelo Exército Norte-Americano, foram questões e problemas que desafiaram a Intendência Divisionária da FEB e que tiveram na ação inteligente e na proficiência do Major Lourival Campelo, Adjunto do Serviço, oficial de notável relevo, perito em operações de Intendência em Campanha, a melhor contribuição para a solução plenamente satisfatória que se lhes deu. A execução dos suprimentos de viveres e de combustíveis para os efetivos empenhados na frente de Porreta-Terme e posteriormente em Lesão in Belvedere, bem como para os elementos da FAB e de unidades de alpinos italianos, a cargo do Capitão Daniel Cristovão, foi por esse oficial desempenhada com inexcedível capacidade, com absoluto senso de responsabilidade, com acendrado patriotismo, com religioso idealismo, com abnegação e com verdadeiro estoicismo sob a agressividade da baixa temperatura, o penoso trânsito dos veículos por estradas de fraca capacidade de tráfego, prejudicadas pela artilharia inimiga, pelas chuvas e pelo degelo e sob a eminência de ataques aéreos como o ocorrido na tarde de 16 de Dezembro de 1944 contra o ponto de distribuição da Divisão, em Pieve Delle Capane. A impulsão e a regulação do emprego dos meios de transportes da Intendência Divisionária atribuídos a esse profissional emérito, que é o Capitão Heleno Soares Castelar, cuja ação, inicialmente como Chefe do Serviço de Intendência do Grupamento Tático que operou no Rio Sercchio e, mais tarde, como Chefe da Seção de Transporte, se traduzia sistematicamente na clarividência das propostas e êxito das medidas, tendo na ofensiva, que foi a hora mais difícil para os reabastecimentos, acumulada a sua tarefa com a de Chefe da Seção de Suprimentos de víveres e de combustíveis, no desempenho da qual mais se agigantou, pela oportunidade que deu à Intendência Divisionária de assegurar o fornecimento à tropa de ração normal de campanha durante todo o rápido deslocamento da Divisão em perseguição ao inimigo. O reabastecimento dos efetivos empenhados na resistência oposta à 148ª Divisão Alemã até a sua rendição em Fornovo, bem como o recolhimento de animais e de copioso material então apreendido, tarefas cometidas e brilhantemente executadas pelo Capitão Ablas dos Santos Arruda, Chefe efetivo da Seção de Suprimentos de Material. Os transportes diários de víveres, forragens, combustíveis, material de aplicação e de consumo e eventuais de animais, tanto na frente como na retaguarda, e considerável número de outros de tropa para e entre-pontos diferentes da frente, alguns dos quais expostos à ação direta das vistas e fogos do inimigo, assegurados pela Cia. de Intendência, em cujo comando se encontrava o Capitão Vitor Feliceti, imprimindo à unidade o máximo de eficiência e possibilitando à Chefia alta percentagem de disponibilidades em viaturas a pleno rendimento, fatores que assás preponderaram no êxito das missões recebidas. O Comando do comboio diário de víveres, inicialmente entre Pistóia e Pieve Delle Capane, lugarejo engastado numa encosta íngreme dos Apeninos, fronteira à montanha da Sambuca, onde tombou e onde ainda se encontra sepulto o conspirador romano confidente de Torquato - Catilina - lugarejo que passou para a história da Intendência brasileira, atravessando o comboio para atingi-lo uma garganta de quase 40 quilômetros de extensão na estrada 64, depois de passar por altitudes superiores a 1 000 metros, em estradas tomadas de neve e gelo, sujeitas em determinados pontos a ataques de morteiros, e, mais tarde, entre os órgãos de reaprovisionamento de Exército e os pontos de distribuição da Divisão, já em plena ofensiva, fixados em locais quase sempre muito distante daquele órgão e local anterior para reabastecer a Divisão em marcha, que devia, a qualquer preço, manter o contacto, missão sempre desempenhada com brilho pelo então 1º Tenente Santino de Castro Santana. A manutenção de caminhões executada na Cia. de Intendência, cuja oficina móvel chegou a reparar cinco veículos num dia, permitindo isso que a indisponibilidade de tonelagem fosse, a partir de determinado momento, muito menor que a tolerada, graças à capacidade técnica de profissional de escol evidenciada pelo 1º Tenente Diniz Roque Santana, que, segundo afirmação feita pelo Chefe do Serviço de Intendência do IV Corpo de Exército, era um dos melhores oficiais de motores daquela Grande Unidade. O Sub Comando da Cia. de Intendência, função sobremodo espinhosa, de cujas medidas dependia a disciplina da tropa, sua utilização em boas condições de rendimento, tendo em vista o emprego dos meios de ação da Intendência em campanha, missões afanosas e ininterruptas que não comportam delongas nem formalidades burocráticas, função que foi com extraordinária eficiência exercida pelo então 1º Tenente Justo Jansen de Almeida. A coleta de mortos muitas vezes em condições difíceis, tendo uma ocasião, após a conquista de Monte Castelo, sido executada ainda sob a fuzilaria, inimiga bem próximo à frente de batalha; o sepultamento dos cadáveres e exumação de grande número de outros antes inumados em cemitérios americanos e italianos, missões que couberam ao Pel. de Sepultamento comandado pelo então 1º Tenente Lafaiete Vargas, que se houve com exemplar espírito de sacrifício e elevada solidariedade patriótica e humana, não poupando esforços para que aos brasileiros mortos fosse prestado o mais absoluto e sensibilante desvelo naquele último transe dos heróis tombados na guerra. "A
Intendência no Teatro de Operações da Itália" |

Ponto de Distribuição em
Pieve Delle Capane - Porreta
Foto escaneada do livro "A
Intendência no Teatro de Operações da Itália"
Cel. Fernando L. Biosca
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É
tempo que fale sobre as expressões Saco A e Saco B. Dois sacos faziam
parte da bagagem do soldado. Um, o saco A, tinha-o sempre consigo, mesmo
na frente ou em depósitos, nas proximidades do inimigo. O outro, o saco
B, ficava muito à retaguarda, com pertences de que não precisasse,
durante certa fase. Um belo dia, começou o pracinha a fazer analogia
dos sacos com as espécies de combatentes. Assim, quem vivia no fox-hole
debaixo das balas, era Saco A; quem servia na retaguarda, nos Quartéis
Generais - enfim, longe dos estilhaços, era Saco B. Contribuiu, sem dúvida,
para tal animosidade - pois era com esse sentimento que uns e outros se
referiam reciprocamente - a campanha de descrédito que, no Brasil,
moviam em torno dos componentes do Primeiro Escalão. A imprensa mal
informada (mesmo por quem tinha o dever de a trazer bem informada)
publicava que nós estávamos muito bem, satisfeitos, rodeados de
signorina, quais sultões. Numa boa vida, em suma. Durante quanto tempo
a opinião pública terá sido ludibriada pela quinta-coluna e, mesmo
por aqueles que não o eram! No entanto, já muitas mães choravam os
filhos mortos; já muitas criancinhas não mais haveriam de receber o
carinho e o amparo dos pais. Mas continuemos. A questão atingiu tal
clima, que alguns dos Sacos houveram por bem derramar suas queixas ou
defender sua classe através da pequena imprensa de guerra, que todos os
Regimentos e Batalhões possuíam seus jornaizinhos, além do
"Cruzeiro do Sul", órgão publicado pelo Serviço Especial da
Divisão. Assim é que, no Jornal do I Batalhão "...E a cobra
fumou!" (que no frontispício definia seu caráter independente,
com a seguinte inscrição: "Não registrado no DIP"), lemos
os seguintes versos, sob o título "Profissão de Fé": (1)
Corriam boatos de que os combatentes mais antigos voltariam, breve, para
o Brasil. "Meu
Diário da Guerra na Itália" |

Pamperso - Ponto de
Distribuição da Divisão
Foto escaneada do livro "A
Intendência no Teatro de Operações da Itália"
Cel. Fernando L. Biosca
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Certo
dia, nas páginas do "Cruzeiro do Sul", apareceu uma
"Carta aberta a um Saco A", da lavra do cap. Pessanha.
Comandava ele a Companhia de Manutenção, órgão divisionário que
pela natureza de suas funções, - reparar e renovar o material automóvel
e o bélico de todas as Unidas da Divisão, - necessitava instalar-se em
região abrigada de bombardeios, como é de meridiana clareza. Ninguém,
pois, melhor indicado para falar em nome dos Sacos B, definindo sua missão
no quadro geral dos combatentes e os esforços honrosos de uns e outros
na luta pela libertação do mundo. Ei-la, a carta: "Meu
Diário da Guerra na Itália" |

A chegada de comboio da Intendência
ao Ponto de Distribuição
Foto escaneada do livro "A
Intendência no Teatro de Operações da Itália"
Cel. Fernando L. Biosca
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Impossível narrar as emoções vividas num combate, pois os pensamentos se conturbam sob o troar da metralha. Depois, conserva apenas imagens desbotadas e confusas. Brutificado, sente ânsia de matar para não morrer. É mais embaraçoso descrever os cinco ou dez minutos que o antecedem. Enquanto aguarda o segundo fatal, o homem conjetura sobre suas probabilidades de sobrevivência. Seu pensamento engendra idéias esquisitas, que podem levá-lo ao desespero e à loucura. Em minutos, recorda uma existência. Fatos, há muito esquecidos, ocorrem-lhe à lembrança. Curioso. Chega a tremer de medo, mas não solta um queixume. O sentimento de honra o impele ao cumprimento do dever. "35
Anos Depois da Volta" |

Foto escaneada do livro
"A Luta dos Pracinhas"
Joel da Silveira e Thassilo Mitke
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O 6º RI havia ocupado posições na região de Bombiana e o Soldado Flávio Costa, um paranaense de Rio Negro, que fora transferido como castigo para a 3ª Companhia, estava de vigilância ao lado do seu "fox-hole", quando, lá pelas tantas da madrugada, observou um vulto sem capacete, com alguma coisa na mão, deslocando-se na direção das nossas linhas. Como estivesse de gorro, pareceu-lhe ser um dos nossos e não ligou muito para o fato. Mas era um alemão que se isolara de uma patrulha e audaciosamente havia se infiltrado pelo nosso lado. Andando agora na direção do Flávio, o vulto, aproximando-se como quem não quer nada, lançou um martelho (granada de mão) na sua direção e saiu numa disparada. O Flávio, como um gato, atirou-se para dentro do "fox-hole". E se dormisse de touca, a essa hora, quem sabe, estaria nos "quintos do inferno" e teria perdido a chance de encontrar o irmão (Soldado Edgard Costa, que, por outro lado, lutava com o 1º RI). Foi exatamente na noite de 22 de dezembro, a mais fria do ano, que a Companhia de Obuses transferiu-se para Cá di Maggio. Um vento frio castigava a linha de frente e os árduos trabalhos, que se processavam com lentidão, alongaram-se por toda a madrugada. "Nós
Estivemos Lá" |
Um Herói nunca morre!
Simples
História de um Homem Simples
As
Origens
Força
Expedicionária Brasileira
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Homenagens
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A vida
felizmente pode continuar...
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