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FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA |

Relatos de Guerra II
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Patrulhando... "Pela
manhã, o 6° Pelotão foi solicitado a socorrer um grupo de soldados que havia
caído num campo minado e que tinha sido atingido por minas antipessoal. O
quadro que se apresentava era horrível: os rostos estavam deformados e sujos de
lama; para minorar a sede tinham colocado terra na boca e a aparência era terrível;
o local dos pés era uma mancha de sangue. Os engenheiros gastaram algum tempo
em retirar as minas até liberar uma trilha que permitisse a chegada dos
padioleiros. Em seguida, começaram a limpar casa por casa, removendo as
armadilhas existentes. Numa delas, o Cabo Mario Müller chamou a atenção do
Tenente, dizendo que ouvira falar alemão no seu interior. Cercaram a entrada; o
Cabo que falava bem esse idioma, dada sua origem na colônia alemã do sul do
nosso país, e seguindo as instruções do seu Comandante, ordenou aos
combatentes que subissem do porão, pois se tratava de amigos. À proporção
que iam saindo, encontravam as armas apontadas contra eles e não tinham tempo
de esboçar a menor resistência. Assim, foram aprisionados sete alemães, entre
surpresos e indignados. Contou o Tenente que o último, que devia ser o chefe
deles, não pôde deixar de dizer: "Puxa, que amigos!" Na mesma casa
foram encontrados fuzis, metralhadoras e granadas. O inesperado deste
aprisionamento mostra que seus defensores foram surpreendidos pela velocidade do
ataque brasileiro." |

Cruz homenageando a valentia
de três pracinhas brasileiros
Arquivo Diana Oliveira Maciel
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TRÊS BRAVOS! "Promoção de praças post-mortem - O Cabo José Graciliano Carneiro da Silva, soldado Clóvis da Cunha Paes de Castro e soldado Aristides José da Silva, integrantes de uma patrulha de reconhecimento, lançada pelo Regimento Sampaio sobre as posições inimigas do ponto cotado 720, na região de Precaria, no dia 24 de janeiro de 1945, portaram-se com evidente destemor na execução da missão que lhes foi confiada. Custou-lhes à vida o cumprimento do dever. Este ato bastante dignificante impressionou o próprio inimigo que, numa eloqüente afirmação da bravura desses elementos da FEB, testemunhou sua admiração, gravando em seu túmulo a seguinte inscrição: 'Três heróis - Brasil - 24-1-1945!'. Este Comando resolve, pois, promovê-los ao posto imediato, post-mortem, como justa homenagem aos que tão bem souberam sacrificar-se pela Pátria, com dignidade e bravura". (Bol. Int. da 1ª DIE, de 29-VI-945). Este caso único e extraordinário, de bravura reconhecida pelo próprio inimigo, foi descoberto depois que nossas tropas ultrapassaram a zona de Precaria. Avisados pelos italianos de que havia três brasileiros enterrados em determinado local, para lá se dirigiu o pessoal do Pelotão de Sepultamento, afim de providenciar a remoção dos corpos para o Cemitério de Pistóia, após a identificação dos mesmos. O fotógrafo do Ministério da Guerra, Horácio Coelho, acompanhou os trabalhos de exumação, e fotografou o túmulo com a cruz tosca, onde se lia a inscrição lacônica, porém, expressiva, em alemão: "3 tapfere -Brasil - 24-1-1945". Até hoje não foi possível apurar as circunstancias que cercaram a morte desses três brasileiros. Eles tombaram em terreno inimigo e foram sepultados pelos próprios alemães, que aliás abriram uma exceção, pois não costumavam enterrar nossos mortos. Que gesto de heroísmo tiveram eles ao morrer, que impressionou tão fundamente aos inimigos, a ponto de ser por eles reverenciados? Não houve testemunha brasileira, pois eles eram três e os três morreram no campo da honra. Talvez um dia se venha a saber, através do depoimento de nossos contendores, da cena que ali se desenrolou. Podemos estar certos, porém, de que foi algo de invulgar e edificante, de intenso e admirável, reconhecido pelo próprio adversário, que lhes prestou a homenagem de uma inscrição tão singela quanto significativa: "3 tapfere!" -Três bravos! Os exemplos acima apontados são apenas alguns dentre centenas de outros, consignados nos relatórios das unidades e nos boletins de guerra. E quantas bravuras semelhantes não ficaram desconhecidas, pela modéstia de seus autores? "A
Epopéia dos Apeninos" |

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Na campanha da Itália, país em que nos batemos, onde nos confiaram um setor de grande responsabilidade e em que o nosso homem lutou destemidamente, empregando todo seu esforço para que a nossa Pátria saísse triunfante, houve cenas inesquecíveis de heroísmo, gestos que elevaram e enobreceram a nossa Pátria. Nem todos esses gestos, nem todos esses heroísmos, no entanto, se tornaram públicos, para que se gravassem, com letras de ouro, nos anais da História, os nomes dos bravos. Haja vista a passagem épica que, abaixo, passamos a narrar e que teve por palco o solo minado e semi-intransponível de Montese, cidade italiana tomada pelo 11º RI a 14 de Abril de 1944, à custa de muito sangue. Quando da mobilização para se formar a FEB, foram convocados, entre milhares de brasileiros, os jovens Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Baêta e Geraldo Rodrigues. O primeiro, Arlindo da Silva, era sanjoanense, tendo nascido na legendária São João Del Rei, em 12 de Fevereiro de 1920. Pobre, moço criado sem os cuidados do pai, pois este era doente mental, Arlindo fora internado na "Escola de Preservação de Menores Abandonados Padre Sacramento". Aí terminou o curso primário, deixando a escola a pedido de sua mãe, com a idade de 15 anos. A 20 de maio de 1943 fora convocado para o serviço militar, como reservista que era, em face de o Brasil achar-se em guerra com as potências do Eixo. Daí em diante a sua vida foi inteiramente voltada ao serviço da Pátria: em prol da qual derramaria o seu sangue. O autor destas reminiscências históricas privou de perto com Arlindo Lúcio, desde que este prestara seu serviço militar na 2ª Cia. do 11º RI, então comandada pelo Capitão João Manoel de Faria Filho, e de onde, saíra reservista. Era um soldado retraído, de pouca conversa e de gestos humildes, o protótipo do moço pacato, sossegado e bom, respeitador dos regulamentos. Arlindo Lúcio andava sempre só e a sua conduta, no quartel ou na rua, não parecia de um moço de pouco mais de 20 anos. Quando os outros meninos da sua idade jogavam o futebol nas ruas de São João Del Rei, iam ao cinema ou corriam de bicicleta, o futuro pracinha, sem infância; podemos dizer, já empunhava a enxada no amanho da terra do Patronato, que em boa hora o acolheu, tornando-o um cidadão digno da sociedade e da Pátria. Convocado para a guerra, embora arrimo de família, não murmurou um queixume contra as leis do país, submetendo-se ao chamamento à caserna, habituado que era a obedecer sempre. Na farda, sujeito à disciplina, jamais protestava, jamais se referia desrespeitosamente aos regulamentos e às atitudes dos chefes; é que ele, pelo sofrimento, amoldara seu espírito, plasmara-o para todas as contingências da vida e tornara-se um cidadão capaz de resistir às adversidades, às surpresas que se lhe surgissem. Convocado para o serviço militar, reincorporado nas fileiras do Exército, esse espírito extraordinário só poderia, na guerra, frente ao inimigo, tornar-se um Herói! Certo dia, após os avanços sucessivos dos nossos homens, conforme iremos ver, o corpo de Arlindo Lúcio, já semi-destruído pela terra que a tudo consome, fora encontrado nas imediações de Montese, conjuntamente com outros dois brasileiros, sepultados na encosta de um morro, quando do ataque àquela cidade pelo 11º RI, a 14 de Abril de 1944. E fato extraordinário, digno mesmo de que a história futura da FEB, não o esqueça: encimando as sepulturas rasas que os alemães lhes deram, viam-se gravados, numa tabuleta, os seguintes dizeres: "DREI BRASILIANISCHE HELDEN" "Três Heróis Brasileiros". Lá estavam, sepultados pelos alemães, três pracinhas do Brasil, os bravos ARLINDO LÚCIO DA SILVA, GERALDO RODRIGUES e GERALDO BAETA, os dois últimos desconhecidos do autor destas notas. Que de heroísmo não praticaram esses brasileiros? Que de bravura não fizeram esses nossos patrícios para que os alemães, na sua rigidez e no seu alto orgulho prussiano, lhes rendessem tão significativa e comovedora homenagem? Os dois companheiros do sanjoanense heróico deviam ter sido, em vida, semelhantes a ele... naturalmente dois moços amantes do trabalho, dois cidadãos que, como Arlindo Lúcio, não tiveram infância... As opiniões são as mais diferentes sobre o que pode ter sucedido aos três bravos. Entrementes, a mais aceitável é que, tendo saído a serviço de patrulha, como de fato saíram, distanciaram-se os três companheiros, desgarraram-se dos demais elementos, talvez por força de um ataque imprevisto dos alemães e, encontrando pela frente uma tropa de efetivo elevado, não relutaram dar-lhe combate, preferindo a morte a se entregarem. Ficaria o feito anônimo se os próprios alemães, que os alvejaram, naturalmente após encarniçada luta, não tivessem reconhecido e exaltado a bravura dos seus contendores, resultando que, admirados, lhes conferissem a tocante homenagem que se via gravada em um tosco pedaço de tábua, em bom alemão: "DREI BRASILIANISCHE HELDEN" "Três Heróis Brasileiros". A FEB passará, seus generais desaparecerão; aqueles que escalaram os montes nevados da Itália, cumprindo o seu dever de brasileiros, serão esquecidos e a poeira do tempo consumirá da face da terra a lembrança dessa jornada que marcou uma época e assinalou uma geração. O tempo que a tudo destrói, porém, jamais poderá apagar essa passagem da nossa história, como jamais extinguirá de nossa lembrança os acontecimentos dolorosos que precederam à nossa participação na luta, ou seja a morte traiçoeira e bárbara de nossos patrícios, em nossas próprias águas. ARLINDO LÚCIO DA SILVA, GERALDO RODRIGUES, GERALDO BAETA, simbolizam bem os nossos vultos do passado, os Antonio João, os Marcílio Dias e aqueles de nossa geração que em 1935, quando da Intentona Comunista, morreram defendendo a integridade da Pátria. "De São
João Del Rei ao Vale do Pó" |

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Ferido em Combate Verdadeiramente desesperadora era a situação de feridos em plena zona de combate, obrigados a permanecer expostos ao fogo inimigo, na esperança de um socorro que as condições não permitiam chegar. A narrativa de Vessio Maneli nos pinta ao vivo o quadro aflitivo, durante os momentos em que sua vida esteve em perigo: "Sou natural de Sorocaba, Estado de S. Paulo, e pertencia à 3ª Cia. do 1º RI. Fui ferido no primeiro ataque ao Monte Castelo, no dia 29 de novembro de 1944. A uma hora da madrugada entramos em posição na base do morro. Recebi ordem para cavar um "foxhole", onde passei a noite. À medida que cavava o chão ia juntando água, de modo que dormi as poucas horas dentro d'água, enrolado na manta. Ao raiar do dia nos foi servida uma ração K e às sete horas da manhã recebemos ordem de avançar pelas encostas do morro, em terreno descoberto. Chovia granadas e balas de todo lado. Os tiros de nossa própria artilharia caiam muito próximos de nós. Nossa progressão foi pequena pois, diante da intensidade da defesa alemã, ficamos logo detidos. O Cap. Mandinho deu ordem para nos abrigarmos e aguardar. Fui ferido logo no começo, primeiro nas costas, quando tentava cavar um abrigo. Não podendo continuar a cavar, procurei rastejar para a retaguarda. Foi quando uma rajada de metralhadora me atingiu de novo, duas balas, uma na coxa e outra no flanco, perfurando-me o abdômen. Não podendo mais me locomover, virei-me para o lado dos alemães e fiquei protegendo a cabeça com o capacete de aço. Recebi outra bala bem no meio do tórax, que moeu minha placa de identidade. Fiquei ali, ao alcance dos tiros inimigos durante todo o dia. As balas parece que tiveram pena de mim ou já sabiam que eu estava bastante ferido e só pegavam no chão, ao redor de meu corpo, jogando-me terra, como se já quisessem me enterrar ali mesmo. Ao escurecer cessou o fogo e um padioleiro veio a meu socorro e me fez um curativo. Só às onze da noite é que veio uma equipe de padioleiros para me transportar para as posições da Cia. e dali, em um "jeep" para o posto de socorro do Batalhão. Colocaram um aparelho de ferro na coxa esquerda e me levaram para o hospital de Valdibura, donde segui para Pistoia, Livorno, Estados Unidos, onde passei um mês e meio em New Orleans e Charleston. Vim então para Recife e daí para o Rio de Janeiro, onde fiquei no Hospital Central do Exército. Fui operado cinco vezes e meu corpo está cheio de cicatrizes". "A
Epopéia dos Apeninos" |

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FEITOS HERÓICOS I Como prova dos feitos heróicos de nossos pracinhas, vamos transcrever algumas citações de combate, publicadas nos Boletins da 1ª DIE: "Soldado
João Peçanha de Carvalho - do 1º RI, natural de Minas Gerais: "Terceiro
Sargento José Carlos da Silva - do 1º RI, natural de Minas Gerais: "Terceiro
Sargento Benevides Valente Monte - do 1º RI, natural de Alagoas: "A
Epopéia dos Apeninos" |

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FEITOS HERÓICOS II "3º
Sargento Luís Ribeiro Pires, da 2ª Cia. do 9º BE de Engenharia, natural
do D. Federal: "Cap. João
Tarciso Bueno - do 11º RI, natural do Estado de Mato Grosso: "Soldado
Sérgio Pereira - do 11º RI, natural de Minas Gerais: "A
Epopéia dos Apeninos" |

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FEITOS HERÓICOS III "Soldado
Arlindo Tavares Pontes - do 1º RI, natural de Pernambuco: "Terceiro
Sargento Sebastião Boanerges Ribeiro - do 11º RI, natural de Minas Gerais: "Soldado
João Martins da Silva -do 1º RI, natural, do E. do Rio. "
Soldado Temer Jorge - do III Grupo de Artilharia, natural do Estado de São
Paulo: "A
Epopéia dos Apeninos" |

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"... Mas a Vergonha é Maior... " Era
um tipo baixo, franzino, abugrado, natural dos sertões mato-grossenses. Nada se
sabia de sua família. Estava na 2ª Cia desde os terríveis tempos de S. João
Del Rei, na tumultuada fase da organização do 11º RI. Relaxado ao extremo,
andava sempre desuniformizado. E, diariamente, ante a sua postura desengonçada,
vendo-o no desmazelo costumeiro, repreendia-o : "Jovino, abotoe a
camisa." E ele , na frouxidão do gesto caipira, sorrindo, ia se arrumando.
Semi-alfabetizado, mal "ferrava" o nome : Jovino Alves de Santana.
Pertencia ao 3º Pelotão, comandado pelo bravo Tenente Iporan. Na defensiva do
inverno, revelara-se exímio patrulheiro. Numa ação da Companhia, se não me engano, no ataque a
Castelnuovo, foi ferido e evacuado. E dele não mais tivemos notícias. Em abril
de 1945, às vésperas do ataque a Montese, o S/1 do Regimento, Cap. Luiz de
Faria, chama-me ao telefone : "Sidney, o depósito do pessoal acaba de nos
comunicar que o Soldado Jovino Alves de Santana desertou de lá. Como ele
pertenceu a sua Companhia, é possível que apareça por aí." "Entendido", respondi. "Estou com o efetivo
completo, mas, se o Jovino aparecer, pretendo ficar com ele por aqui." "Veremos", retrucou-me o Capitão Faria. "Se
ele chegar, avise-me. Até logo." Dois dias após a minha conversa com o Cap. Faria, já
noitinha, surge-me o Jovino. Cansado, faminto, só trazia a roupa do corpo, o
cinto de guarnição e o capacete. Entrou no meu PC e sem qualquer formalidade,
foi dizendo: "Capitão, fugi do "depóis ". "Já sei", respondi-lhe. "Só que você não
fugiu, pois já é considerado desertor. Quantos dias levou para chegar até
aqui e como soube aonde estamos?" "Demorei dois dias, Capitão. Vim pegando carona com
os americanos até Pistóia; de lá arranjei passagem até Porreta, onde
descobri um jipe do nosso batalhão que me trouxe até Iola; em Iola me
ensinaram o caminho e de lá vim a pé." "E por que fugiu do depósito?"
"Ora, Capitão, aqueles 'Sacos C' viviam me sugando na
instrução e me ensinando coisas que estou cansado de saber." "Revista
Militar Brasileira" - Número Especial - Secretaria Geral do Exército -
1973 |

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O
Pracinha Carlos Scliar "Lutas
de Pracinha" |
As gravuras são de Carlos Scliar, copiadas de seu site http://www.carlosscliar.com.br/
Um Herói nunca morre!
Simples
História de um Homem Simples
As
Origens
Força
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