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FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA |

Joel Silveira, Egydio Squeff e Thassilo Mitke
Foto escaneada do livro "A Luta dos Pracinhas"
Joel Silveira e Thassilo Mitke
Correspondentes de Guerra
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A II Grande Guerra foi, sem dúvida, o episódio histórico que teve a maior e mais ampla cobertura dos órgãos de informação: correspondentes de guerra, cinegrafistas, desenhistas, cronistas e escritores participaram e acompanharam todo o conflito, e tudo isso resultou num acervo incalculável de informações escritas e visuais. Esse setor estava previsto na organização da FEB, só que a seleção e a escolha inicial de quem iria acompanhar as tropas não coube ao Exército e sim ao DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), órgão do governo que controlava todos os meios de comunicação. Através dele o governo manipulava a opinião pública em favor de seus interesses políticos. Os mais importantes jornais do país começaram a apresentar ao DIP os nomes daqueles que seriam os futuros correspondentes de guerra. Nem todos os jornais foram escolhidos, nem todos foram aceitos. Um jovem jornalista que escrevia no Correio da Manhã e no futuro teria destacado papel na política do país, apesar de insistir no seu credenciamento, não conseguiu: o jornalista Carlos Lacerda. Após o processo de escolha, evidentemente político, embarcaram para a Itália como correspondentes de guerra, Rubem Braga do Diário Carioca, Rui Brandão do Correio da Manhã, José Carlos Leite e Joel Silveira dos Diários Associados, Egídio Squeff de O Globo. A Agência Nacional, órgão governamental, enviou Thassilo Campos Mitke e Horácio Gusmão Sobrinho, como repórteres, e Fernando Stamato Sílvio da Fonseca e Adalberto Cunha como cinegrafistas. Outros membros da imprensa também estiveram na Itália. Entre eles Carlos Alberto Dunshee de Abranches do Jornal do Brasil; a jornalista e cronista Sílvia Bittencourt (esposa do diretor do Correio da Manhã), que escreveu sob o pseudônimo de 'Majoy'. Ela foi a única mulher brasileira que atuou como correspondente de guerra e sua permanência na Itália foi breve. O livro que figura na bibliografia da FEB, tem poucas notas sobre a divisão brasileira. Narra a viagem de Sílvia ao exterior, sendo a estada na Itália apenas um episódio. "A FEB
por um Soldado" |

Estampa da FEB focalizando a ação da imprensa no front
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74ª
Pergunta: Como se representou a Imprensa? 75ª
Pergunta: Havia algum jornal na FEB? "100
Vezes responde a FEB" |

Os correspondentes de guerra: em pé, da esquerda para a direita: Rubem Braga
do Diário Carioca, Frank Norall da Coordenação de Assuntos Interamericanos,
Thassilo Mitke da Agência Nacional, Henry Bagley da Associated Press, Raul Brandão do
Correio da Manhã, Horácio Gusmão Coelho da Agência Nacional; primeira fila,
mesma direção: Allan Fischer - autor
da foto tirada com automático - fotógrafo da Coordenação de Assuntos
Interamericanos, Joel Silveira, Egídio Squeff de O Globo e o
cinematografista da Agência Nacional Fernando Stamato.
"E foi assim que a cobra fumou"
- Elza Cansanção
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"Para melhor compreensão do que foi a luta dos nossos pracinhas, deve-se preliminarmente afirmar que a carência de recursos humanos na frente italiana depois da transferência de experientes tropas para o sul da França e o imperativo de nossa permanência na frente de combate impuseram-se operações difíceis, em terreno e clima ingratos, e, não raro, com mínimas possibilidades de êxito. Sempre em ação guarnecendo setores acima das possibilidades de seus meios, jamais atacando com a Divisão inteira na potencialidade de seus três regimentos de infantaria, antes fazendo prodígios, conseguindo dispor de atacantes com o sacrifício e o risco dos defensores, o comando brasileiro não se poderia permitir veleidades de brilho operacional, e teria de ser o que foi: bom senso antes, equilíbrio e poupança sempre, nunca bonapartismo e aventura. Daí o dizer-se que, para nós, a Campanha da Itália, sobre ser uma guerra de montanha, foi uma guerra de Sargentos, de Tenentes e de Capitães. E daí ter sido o soldado, o nosso querido e anônimo pracinha, o seu herói maior. Também uma palavra preliminar sobre o direto acompanhamento das operações pela nossa imprensa, no trabalho de seus correspondentes de guerra. Para melhor compreender sua atuação é preciso ter em vista, além das limitações já assinaladas, que não tínhamos qualquer experiência nesse tipo de função, para a qual ninguém se prepara antecipadamente, e que, por outro lado, não havia, de parte de nossas tropas, a necessária capacidade para integrar, os correspondentes ao conjunto, corno se eles também fossem combatentes. O êxito de homens como Joel Silveira, Rubem Braga, Egydio Squeff, José Barreto Leite e Raul Brandão resultou, assim, tão-somente, de seu talento jornalístico e literário, de sua sensibilidade e de seu valor humano, e, acima de tudo, da total consagração à causa por que lutávamos. Em verdade, foram mais cronistas do que correspondentes de guerra. Há que dizer-se, ainda, que o noticiário de guerra é sempre mais farto na guerra de movimento, quando há avanços significativos a assinalar, desbordamentos e cercos, quedas de cidades, grande número de prisioneiros, situações em que geralmente não é tão penosa a vida do combatente. Ao contrário, quando as frentes se estabilizam e não andam, diante de posições fortificadas, nos entreveros das patrulhas de combate, geralmente não há notícias a publicar nos jornais. E, no entanto, o dever bem cumprido no posto defensivo, que ninguém sequer veio a saber, ou o sacrifício do avião bombardeiro, atingido em silêncio, no fragor dos arrebentamentos de suas próprias bombas, pode ter feito pela causa comum o mesmo que o espetacular avanço de uma coluna blindada." "Jornal
da Guerra" - General Octavio Costa |

Correspondente de Guerra
entrevista soldados em um fox-hole no front.
Foto escaneada do livro "Eu estava Lá!" - Elza Cansanção Medeiros
UMA VISÃO JORNALÍSTICA
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Foi
há mais de 50 anos, no dia 8 de maio de 1945. Eu me encontrava em Milão, no
Restaurante Biffi da Galeria Vitorio Emmanuelle, em companhia de alguns
jornalistas como eu, todos correspondentes de guerra. De uma guerra que
terminaria definitivamente no fim da tarde daquele dia, quando, em Reinos, os
comandantes alemães – o marechal Keitel à frente – iriam render-se, formal
e incondicionalmente, ao Comando Aliado. A conversa, naquela tarde no Biffi de
Milão, não se resumia apenas em festejar o término da guerra, que sabíamos
iminente e que na verdade para nós, correspondentes, já terminara de fato dias
atrás. Éramos todos jornalistas brasileiros, de forma que o tema central
referia-se à Força Expedicionária Brasileira, a FEB, cuja luta havíamos
acompanhado de perto, desde o primeiro combate de Camaiore, no setor do Rio
Serchio, em setembro de 1944, até a última ação, a 29 de abril de 1945,
quando nossos soldados cercaram e aprisionaram toda uma Divisão Alemã – a
148ª Panzer, comandada pelo general Pico. Foram 8 meses de uma guerra ingrata,
impiedosa, quase sem tréguas, aquela em que os nossos "pracinhas"
haviam combatido na frente italiana. E que ainda mais cruel se tornara quando
começou a cair a primeira nevasca – muito antes do dia para isso especificado
no calendário – de um inverno que, a partir de fins de novembro de 1944 até
fins de março de 1945, se apresentaria, na Região Apenina, como o mais
rigoroso dos últimos 50 anos. Fizemos ali mesmo uma espécie de balanço, de
inventário do que a FEB fizera ou deixara de fazer naqueles últimos meses e
chegamos todos a uma só conclusão: a de que os nossos "pracinhas"
haviam aprendido a guerrear na própria frente de operações; que haviam
aprendido depressa, muitas vezes com a ajuda do indiscutível senso de
improvisação e criatividade tão comuns aos brasileiros; que haviam se portado
com bravura, competência e obstinação; e que, finalmente, soldados e
oficiais, comandados e comandantes, tinham cumprido, integralmente, todas as
missões que lhes haviam sido confiadas pelos generais Mark Clark e
Crittemberger, respectivamente, comandantes do V Exército Americano e do IV
Corpo de Exército, aos quais a FEB estava subordinada. Sim, os
"pracinhas" brasileiros, naquele 8 de maio de 1945, podiam sentir-se
orgulhosos. Haviam passado por toda espécie de sofrimentos; haviam enfrentado
dois inimigos igualmente impiedosos, os alemães e o frio, e haviam derrotado os
dois. Camaiore, Monte Castello, Castelnuovo, Montese, Zocca, Collecchio e
Fornovo já eram indicações seguras, indiscutíveis, de que os
"pracinhas" brasileiros tinham levado a melhor, para desespero e
tristeza dos derrotistas e simpatizantes do nazi-fascismo, muitos deles
escondidos na cúpula dirigente da ditadura estadonovista, que, desde a partida
do 1º Escalão da FEB, ou até mesmo antes, quando a Força Expedicionária
Brasileira ainda estava sendo agrupada, profetizavam para os nossos soldados
derrota e humilhação.Que a Força Expedicionária Brasileira desempenhou, no
campo de luta da Itália, um papel marcante, é fato hoje fora de qualquer
dúvida. Isso reconheceram todos os oficiais-generais estrangeiros que lutaram
ao lado dos nossos "pracinhas" na Frente Apenina: O general Mark
Clark, o marechal Alexander, o general Truscott, o general Crittemberger, entre
outros, todos reconheceram, em livros de memórias que publicaram, a bravura dos
soldados brasileiros no campo de luta. E ressaltaram, particularmente, o fato de
eles se terem batido com tanta valentia e determinação sob as circunstâncias
as mais adversas (clima, adestramento precário etc.) e contra um inimigo com
mais de quatro experiências de guerra na Europa. Até mesmo chefes alemães
atestaram, no pós-guerra, a excepcional conduta dos brasileiros no
"front" italiano. Um deles foi o coronel Rudolf Bohmler, veterano de
várias batalhas, participante inclusive da Batalha de Stalingrado e da demorada
e sangrenta batalha de Monte Castello. Em seu livro, assim ele se referiu aos
soldados brasileiros: Jornalista
Joel Silveira. |

Soldado Francisco de Paula, estampado na edição do jornal "Cruzeiro
do Sul"
Foto escaneada do livro "Eu estava lá!" de Elza Cansanção
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Fotógrafos
de Guerra E surgiu o fotógrafo de guerra, sendo que o seu precursor, no Brasil, foi o fotógrafo baiano Flávio de Barros, que legou um tão vasto quanto dramático documentário sobre a Guerra de Canudos. Na Itália, junto com a Força Expedicionária Brasileira, viajaram dois cinegrafistas, da Agência Nacional, os irmãos Stamato, Guilherme e Fernando, além do fotógrafo Egydio Squeff. O pintor Carlos Scliar deixou centenas de desenhos sobre o que viu na condição de “pracinha” de Artilharia. Luciano Carneiro, fotógrafo de “O Cruzeiro” saltou de para quedas na Coréia. Luiz Edgard de Andrade cobriu, como fotógrafo e redator, a guerra do Vietnam, onde o também jornalista Hamilton Ribeiro deixou uma perna ao pisar numa mina terrestre. A tecnologia ofereceu ao vivo, pela audácia do repórter Peter Harnett, da CNN, um verdadeiro circo de violência durante os bombardeios noturnos na guerra Iran-Iraque. Robert Capa e o americano Eugene Smith, foram os fotógrafos que cobriam o maior número de guerras. Smith no mais terrível cenário do Pacífico Sul, durante os combates entre os Estados Unidos e o Japão. Capa morreu, aos 41 anos de idade, na antiga Indochina, ao pisar numa mina terrestre, perdendo uma perna e a vida em poucos minutos. Eugene Smith que voava nos aviões de caça, na condição de fotógrafo oficial da Marinha Americana e da revista LIFE, participou das mais sangrentas batalhas, as de Saipan, Guam,Leyte, Iwo Jima e Okinawa. Como combatente-fotógrafo, foi ferido por estilhaços de granada e foi submetido a trinta e seis cirurgias. Após a guerra a sua vida sofreu radical transformação. Seu trabalho jornalístico teve um direcionamento para os problemas sociais, acreditando ele nos direitos dos homens equilibrando-os com suas responsabilidades. Um estilo generoso foi passado para as fotos que passou a produzir, deixando para trás as memórias de uma guerra que mudou totalmente a sua personalidade. Fotografou a vida difícil dos mineiros de Pittsburgh, durante três anos viveu numa aldeia do oeste da Espanha onde produziu um documentário revelado no livro “Uma Vila Espanhola”. Este um hino à simplicidade do gênero humano. Robert Capa conservou o espírito aventureiro não permitindo que os horrores das guerras que fotografou mudassem seu comportamento, enchendo os seus dias – e noites parisienses - com boa comida, champanhe, amizades femininas e uma freqüência assídua às mesas de cassinos. As guerras recentes, especialmente em áreas hostis aos ocidentais, trouxeram para os fotógrafos dificuldades que se somaram às condições naturais – se é assim podem ser chamadas as condições dos cenários em que a idéia é matar o maior número de pessoas inocentes, destruir o máximo que for possível de bens materiais e quebrar a moral dos povos (involuntariamente) envolvidos. Com a velocidade da comunicação, o consumo de imagens cresceu e com ele o aventureirismo de jovens inexperientes, que passaram a buscar nas guerras a oportunidade de abertura de mercado de trabalho, dinheiro e notoriedade. Um eixo de custo/benefício se ofereceu aos fotógrafos, ávidos de mais e mais imagens. Comprometidos com seus agentes ou jornais e revistas para os quais trabalham em regime de “full time”. E como fotografia não se faz por ouvir contar, é necessário que o profissional esteja na linha de frente, isto ocasionando um sempre crescente número de perdas de vidas ou ferimentos irreversíveis que viriam impedir a prática da profissão original. Foi observado que a tendência dos mais jovens – e, portanto menos experientes – durante estes conflitos, é a de criar formas de compensar a tensão e, porque não dizer, o medo. Consumo de bebidas, drogas, prática de jogos a dinheiro e a transformação de hotéis em verdadeiros bordéis, são recursos praticados para esquecer o horror do dia de hoje e afogar o pensamento no desconhecido do dia de amanhã... Isto na “certeza incerta” do valor que uma foto poderá ter num aproveitamento maciço pela imprensa mundial, no dia seguinte. O dinheiro, a fama e é claro, a sensação do dever cumprido, são as molas mestras que impulsionam um profissional ao seu próprio limite. Muitas vezes sem retorno. Joel Simon, diretor do comitê que realizou uma pesquisa para marcar o Dia Mundial da Imprensa Livre disse que “no alto da lista dos piores lugares do mundo para um jornalista está o Iraque e, entre os dez piores elaborado pelo Comitê de Proteção aos Jornalistas estão o Afeganistão, Bielorrússia, Chechênia, Faixa de Gaza, Colômbbia, Eritréia e Togo. Muitos jornalistas que trabalham nesses lugares fazem um sacrifício extremo, outros são presos e estão cumprindo longas sentenças: enfrentam perseguições de governos, violência física, duras leis de imprensa e tiros indiscriminados para trazer notícias” Durante a recente guerra foram mobilizados, pelos Estados Unidos, e seus aliados, cerca de TREZENTOS MIL homens de forças de terra, mar e ar: uma das metas que resultou no morticínio de milhares de inocentes nunca foi cumprida, a de prender UM ditador. Nela morreram TREZE JORNALISTAS, nove por fogo americano ou iraquiano, minas terrestres ou homens-bomba: quatro morreram de acidentes ou doença contraída na área do conflito. Em Cuba o regime de Fidel Castro prendeu vinte e oito jornalistas, seis deles condenados até a 30 anos de prisão. A isto se soma a censura prévia à atividade de profissionais. Fato registrado amplamente na guerra do Iraque, quando a maior democracia do mundo estabeleceu rígidas regras para o trabalho de fotógrafos e redatores, criando áreas de ação delimitadas e submissão do material jornalístico produzido, em gritante gesto da mais condenável forma ditatorial de trato com a imprensa livre. Flávio
Damm |
Um Herói nunca morre!
Simples
História de um Homem Simples
As
Origens
Força
Expedicionária Brasileira
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