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SAUDADE... |
SAUDADE!!!
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SAUDADE SAUDADE... Parece que este
sentimento domina a nossa existência. Saudade dos
momentos de felicidade, de paz, de ternura e até de dor.
Saudade talvez seja apenas, saudade de nós mesmos, de
nossas esperanças e sonhos, realizados ou não...
Saudade de pessoas que passaram por nossa vida, às vezes
por instantes, mas que marcaram, de alguma forma, o seu
espaço em nossas lembranças. Saudade de uma afeição
intensa, por vezes nem valorizada, no momento, e que só
cresce quando perdida. Parece-me ser assim com os
sentimentos que nos ligam às nossas famílias: é tão
normal ter que a gente nem valoriza. Papai faleceu em setembro de 2002. Talvez por ter vivido
muitos anos distante dele, minha sensação é de que
ainda está lá, em Piquete, em sua casa, aguardando que
a filha que mora tão longe, no Ceará, venha vê-lo. Mas
o velho Geraldo não se encontra mais a minha espera.
Somente a lembrança das suas histórias e da sua música
continuam conosco. |
SAUDADE "Quedamos tristes por alguns instantes. Ficamos calados. Dois homens, um soldado, outro capitão. Enorme diferença nos separava no Exército mas naquele instante a dor da saudade nos nivelou. E as estrelas contemplavam dois combatentes futuros, dois intrépidos guerreiros com saudades de casa." "(...) eles ligaram um rádio que havia na cozinha, para um programa de música dedicado aos soldados de além-mar. Aproximei-me do grupo, que era constituído de jovens da minha idade, mais ou menos. Ficamos escutando suaves melodias, algumas delas minhas velhas conhecidas. Puxei conversa com um dos marinheiros que antes já me havia oferecido algumas laranjas; tinha um ano mais do que eu e batemos um papo ao som de foxes. Tocou o velho mas sempre apreciado 'Star Dust'. O americano sentia o mesmo que eu: saudade. Lembrei-me da última vez que havia dançado aquele fox numa festa do clube, nas vésperas do embarque. Como a guerra estava longe naquele momento para nós dois! Contou-me que tinha uma pequena em South Dakota. No meio da conversa foi que eu percebi que não entendia o inglês do americano, mas não fazia mal. Adivinhava o que ele estava dizendo, sentia dentro de mim o mesmo, e contei-lhe também uma história de namoro em português, ele escutou-me num religioso silêncio parecendo que tudo compreendia. Aquelas músicas me fizeram desabafar uma porção de coisas; ele como eu, como todos, tinha saudades de casa, da mãe, da namorada, das festas, dos automóveis, das roupas de paisano, igualzinho a mim. Separamo-nos com um aperto de mão, os maiores amigos do mundo. Ele voltou para a cozinha, onde não havia pequenas nem festas, e eu para o meu posto, onde só havia o sargento da ronda. Diabo de guerra!" "No serviço de polícia
tive uma desagradável experiência. Tínhamos prendido
um soldado que estava meio louco. Pela madrugada ele teve
um acesso violento, conseguiu fugir da prisão e começou
a correr pelo corredor. O Ladeira e o Afonso
imediatamente se atracaram com ele. Apesar dos dois serem
bem corpulentos, não conseguiram segurar o homem, que ia
descendo uma escada que dava para um dos alojamentos. No
meio daquela escuridão, um louco solto. Vendo porém, um
polícia barrando a entrada, fez meia volta e subiu em
direção ao convés, gritando que ia morrer. Tocou minha
vez de entrar na dança. Nunca topei uma parada tão
dura; brigar com um louco numa escada de convés é uma
temeridade. O Ladeira e o Alensocourt vieram em meu
socorro; nós três mais o sargento e um americano,
arrastamos o pobre coitado, como uma fera, novamente para
a prisão. O que ficou mais atingido foi o Ladeira que
estava todo mordido e teve que fazer curativos na
enfermaria. Eu e os outros tivemos só coisa ligeira.
Nunca pensei que um louco tivesse tanta força. Ele
porém não ficou sossegado. Foi então chamado um
médico para aplicar-lhe uma injeção de morfina.
Felizmente estava na hora de render a guarda e foi à
turma que entrou que coube a tarefa de segurar o louco
para receber a injeção. Para nós bastava. O rapaz só
dizia que não era direito fazerem aquilo com ele, ele
só queria morrer para voltar para casa. Joaquim Xavier da Silveira |

Um Herói nunca morre!
Simples
História de um Homem Simples
As
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Força
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