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Alguns
clubes sociais de Fortaleza
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1 - O CLUB CEARENSE Os
clubes sociais recreativos – tais como se entende atualmente - foram
criados pelos ingleses no século XIX. Formaram-se a partir de uma
associação de pessoas reunidas, em lugares permanentes, com um
objetivo comum - como os oficiais, que, retornando à Londres das
guerras napoleônicas, buscavam um lugar de encontro para refeições
e reminiscências. Até 1883, os clubes eram, em geral, restritos aos
homens, quando, então, surgiram aqueles exclusivamente femininos.
Expressão da sociabilidade e da utilização do tempo de lazer, os
clubes representaram, no princípio, um privilégio das classes
economicamente favorecidas. Com a diminuição das horas de trabalho e
uma melhor distribuição da riqueza, surgiu, no século XX, um grande
número destas associações. Oferecendo atividades recreativas e
culturais aos associados, os clubes atuam como agentes socializadores
do lazer – esta importante dimensão humana.
A seguir, ocupou o belo palacete na entrada da rua Major Facundo, que aparece neste croqui feito por Gustavo Barroso, reproduzido, a partir do seu livro de memórias. Este palacete serviria, depois de reformado, ao Palace Hotel, sendo hoje a sede da Associação Comercial do Ceará. O Club Cearense era freqüentado pelas famílias mais destacadas de Fortaleza. Promovia encontros regulares de amigos e parentes, conversações, leituras, jogos de bilhar francês, recitais de poesia, apresentações musicais e deslumbrantes bailes. O Club Cearense conquistou, como escreveu Raimundo Girão, “o ápice do nosso aprimoramento social, com os seus salões sempre a giorno, com os seus jogos de recreação, a finura de seus dirigentes, o fausto de suas partidas dançantes”. Nascido no tempo do Segundo Reinado, o Club Cearense contava, entre seus associados, com titulares do Império, representantes consulares, comendadores, magistrados e médicos famosos da cidade, além dos mais ricos proprietários da terra. Para o pesquisador da história de Fortaleza, os sócios do Clube Cearense representavam, com segurança, as figuras mais destacadas do Ceará no século XIX. Apesar do seu prestígio, o Club Cearense não superou as dificuldades financeiras nos tempos republicanos, cerrando suas portas na passagem do século XX. |
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2 -
O CLUBE IRACEMA
No reveillon de 1939, o Iracema inaugurou sua sede própria, na Praça dos Voluntários. Sua linha arquitetônica traduz um dos mais belos exemplos do “art déco” da cidade. Em 1947, esse prédio foi desapropriado pela Prefeitura Municipal, para ali instalar seu centro administrativo. Atualmente, está incorporado ao Clube dos Diários na Associação Clube dos Diários - Iracema. |
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3 – O CLUBE DOS DIÁRIOS Em conseqüência de uma dissensão na sociedade do Clube Iracema, surgiu aos 18 de março de 1913 o Clube dos Diários, aquele que seria o mais requintado clube da “Belle Époque” de Fortaleza. Entre seus fundadores encontravam-se João Garcia Arêas, Francisco da Costa Freire, Martiniano Silva, José de Mendonça Nogueira, João Mac-Dowell, César Cals de Oliveira e Henrique Jorge. Desde sua inauguração, instalou-se no Palacete Guarany, na antiga Rua Formosa, a mais elegante de Fortaleza, no começo do século, hoje rua Barão do Rio Branco. Seu prédio foi construído pela Associação Cearense do Comércio, com planta trazida de Paris, pelo Barão de Camocim, apresentando imponente cobertura de ardósia. Contava entre seus primeiros presidentes: Francisco da Costa Freire, Couto Fernandes, Eduardo da Rocha Salgado, Luciano Martins Veras, Eliezer Studart da Fonseca – a mais atuante presidência que dirigiu o clube por um largo período de mais de trinta anos -, Fernando Eduardo Benevides e Evandro Salgado Studart da Fonseca.
O Clube dos Diários preenchia a vida social de Fortaleza com charme e
elegância. Grandiosos bailes, apresentações musicais, exposições
de pintura ocorriam em seus salões. Acompanhando o desenvolvimento
tecnológico, sua diretoria procurava oferecer aos seus associados, o
que de mais moderno pudesse ser encontrado na área de lazer e
entretenimento. Sob a presidência de César Rossas, em agosto de
1931, foi instalado um cinematógrafo no clube, na antiga sala de
bilhar. O cinema contava com 200 cadeiras e as sessões eram
quinzenais, exclusivamente para sócios, com danças e distribuição
de doces e refrescos, no intervalo e após o término das sessões. Até
o final dos anos 20, a vida social e elegante da cidade era conduzida
pelos dois clubes: Iracema e Diários. Esses, rivalizavam na apresentação
de suas festas, principalmente nos tempos carnavalescos. Seus salões
eram alugados pelos clubes menores, sem sede própria, para os bailes
vesperais. Com seu entusiasmo e alegria contagiante, essas associações
recreativas movimentavam os carnavais de então. |
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4 -
MAGUARI ESPORTE CLUBE
A construção
dessa simpática e aconchegante sede, com seus muros jovialmente
arqueados, foi assinada pelo famoso arquiteto Sylvio Jaguaribe Ekman -
o construtor do Ideal Clube. Ali, praticava-se o esporte amador e
ocorriam atividades festivas que marcaram a vida da cidade,
principalmente nos alegres Anos Dourados, na década de 50, com seu
entusiasmo prolongando-se pelos anos seguintes. Muitas de suas
animadas festas carnavalescas terminavam às dez horas da manhã
seguinte - acontecimentos inusitados para a pequena Fortaleza, de 213
mil habitantes. O Maguari presenteou o Brasil com a primeira cearense
que conquistou, o então disputadíssimo título de Miss Brasil. Emília
Correia Lima representou, em 1955, a mulher brasileira, destacando-se
no concurso de beleza internacional em Long Beach, por seus traços clássicos
e postura discreta. |
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Bibliografia: Raimundo Girão, A
Princesa Vestida de Baile, 1950, pág. 45 |
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