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O Aquário Era um sonho... Um paraíso encantado à sombra de folhagens e o lusco-fusco das escamas vermelho-douradas dos peixes de diferentes tamanhos. As estátuas dos anõezinhos numa ilha de verduras davam o toque de Conto de Fadas. O Aquário por muitos anos fez parte de minha fantasia... Os olhos das asas abertas do pavão espiavam as minhas lembranças. O mesmo espaço habitavam a onça malhada, os macaquinhos e o indolente jacaré. Balançando em minha saudade, no vai-e-vem dos brinquedos acenavam-me, de um tempo livre de ameaças e dores, perdido no passado. Um dia, eu voltei. O peso dos anos, a minha história de vida, não conseguiram apagar o desejo de rever o paraíso perdido...
Três filhos e um sobrinho
me acompanhavam. Cheguei ao portão e pedi que me deixassem entrar: vinha de
tão longe, desejava mostrar aos meus filhos um local importante de meus
primeiros anos. Embargada, adentrei os portões do meu antigo "Jardim da
Infância". O porteiro amigo só me permitiu fazê-lo, contra as ordens
recebidas, porque ele também antecipava a sua saudade.
Minha filha, sem saber,
sentou-se na minha cadeira de balanço predileta e, através dela, eu
me enxerguei menina, despreocupada e feliz. A historinha da Galinha Ruiva - a primeira
que ouvi, contada naquele espaço - ressoou em meus ouvidos. Lembrei-me de uma
queda daquela gangorra verde, numa manhã chuvosa. Pensei ter divisado ao longe
o "seu" Marinho chegando com os pedaços de carne para a alimentação
da onça que tanto me fascinava... Os pássaros ainda cantavam, os macaquinhos
faziam caretas e coçavam suas cabecinhas. Foram imitados pelos meus filhos, da mesma forma que eu os imitava, décadas atrás. Mas não encontrei o porco espinho...
Não pude conter as lágrimas: a mesma sombra fresca, as mesmas folhas e até o mesmo anãozinho! Meus filhos passeavam maravilhados por aquele espaço para eles também, naquele momento, encantado! Eu não queria sair. Não podia deixar o recanto de meus sonhos, abandonar a paz das sombras generosas, cuja lembrança me seguira toda a vida. ........................................................................................................................ Os anos
passaram mais uma vez. Soube que os balanços, os animais, o Aquário haviam
desaparecido. Não fui conferir esta informação nunca. Não queria ver nem
saber mais. Para mim ele ainda estava lá: relicário de paz e pureza!
Quebrou-se algo em mim ao ver destruído o símbolo de meus sonhos infantis. E eu chorei... Maria
Auxiliadora Mota Gadelha Vieira
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