MITOLOGIA GREGA
HÉSTIA
Parada,
fria, Héstia observa o movimento das ondas do mar. Nada sente:
nem amor, nem medo, nem remorso. Toda a sua vida fora feita de
castidade. Ela fizera o voto de manter-se pura e solitária.
Jamais oferecera de si, o corpo, a alma, o riso ou a compaixão.
Em seu espírito vive um poderoso abismo, sem imagens, cores ou
respostas. Não há nela emoção alguma. Os homens honram-na,
oferecem-lhe sacrifícios. Oram para que lhes proteja a família
e o lar. E ela, que nunca teve família nem lar, atende-lhes as
preces. Preservadora da castidade, é a mais velha filha de
Cronos e Réia. Seu pai é o deus do tempo, mas Héstia não
aprendeu com ele a insone cavalgada dos homens, em busca da
paixão. Imóvel, no centro do mundo que lhe rende homenagens,
ela não pode participar nem da glória, nem da miséria. É
impenetrável e só, a tocha eterna das comunidades humanas, o
eixo em torno do qual se organizam os indivíduos. Apolo amou-a,
mas nem com toda a sua luz conseguiu conquistá-la. Posseidon
também a amou, mas as ondas do mar não provocaram, na fria
deusa, nenhuma sensação poética, nenhuma nostalgia, nenhum
desejo. Ela fugiu de ambos. Continuou virgem e inatingível em
sua solidão. Em todas as casas, em todos os Estados, no cerne de
todas as instituições, Héstia, a casta deusa, jamais se
corrompeu pela paixão, conferindo às criaturas o sentimento de
segurança e pureza que elas precisavam para reger suas vidas
sôfregas e violentas, feitas de amor e ódio, de dor e alegria,
de procuras e desencontros. A deusa do lar era irmã de Zeus, Hera, Posseidon, Deméter e
Hades e ajudou Zeus a tornar-se senhor do universo. Adorada antes
dos outros deuses em todas as festas, considerada a mais antiga e
preciosa das deusas do Olimpo, um juramento feito em seu nome era
o mais sagrado dos juramentos. Héstia era uma deusa do fogo, mas
do fogo doméstico, o fogo da lareira que fornece calor e coze os
alimentos, que aconchega e fortalece a unidade familiar. No
santuário de Vesta, divindade romana à qual foi associada, seis
vestais protegiam o fogo sagrado, a chama eterna. Seu culto era
simples e despojado de grandes requintes. O Colégio das Vestais
foi instituido em Roma por Numa Pompílio. Eleitas por sorteio
entre as famílias nobres, as vestais ingressavam no colégio
sacerdotal entre os seis e os dez anos de idade, ali permanecendo
trinta anos. Faziam rigoroso voto de castidade e as que violavam
este voto eram punidas com a morte. Seu cúmplice na quebra dos
votos era açoitado no mercado da cidade, no Foro Boário, até
morrer. Terminados os trinta anos dedicados a deusa, as vestais
podiam casar, mas poucas usavam este direito, preferindo
manter-se virgens e com todo o prestígio que isso lhes
proporcionava, podendo até mesmo perdoar um condenado à morte.
Sua principal função era manter aceso o fogo sagrado.

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